A faturação da indústria brasileira em agosto superou os níveis alcançados no início do ano, antes das restrições impostas em março devido à pandemia, registando-se ainda uma recuperação de emprego no setor, segundo fontes oficiais.
De acordo com um estudo publicado na terça-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em agosto, a faturação da indústria manufatureira cresceu 2,3% em relação a julho e 37,8% face a abril, quando estava em pleno pico a crise causada pelo novo coronavírus.
No entanto, devido à forte queda registada no setor entre março e abril, a faturação por vendas entre janeiro e agosto está 3,9% abaixo do valor registado no mesmo período de 2019.
Segundo o estudo, o emprego industrial registou o primeiro crescimento do ano, com alta de 1,9% em agosto, aproximando-se do patamar que tinha antes da crise. No mês, o número de horas trabalhadas aumentou 2,9%.
Embora a massa salarial tenha aumentado 4,5% em agosto, na comparação com julho, ainda está longe de atingir os níveis do início do ano, já que muitas empresas aderiram a medidas de preservação dos empregos, como redução da jornada de trabalho ou suspensão de contratos.
Os resultados positivos também foram observados na utilização da capacidade de produção, que atingiu 78,1% em agosto e está apenas 0,8 pontos percentuais abaixo da registada em fevereiro.
“É importante que o aumento da atividade tenha sido acompanhado por um crescimento do emprego, o que sugere uma maior confiança no empresário”, afirmou o gerente de Análise Económica da CNI, Marcelo Azevedo, citado no relatório.
Para Azevedo, os números reforçam a perceção de uma rápida recuperação da atividade industrial do país.
Em agosto, a produção industrial brasileira cresceu 3,2% em relação a julho, o quarto mês consecutivo em alta, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No entanto, os números ainda não conseguem reverter o colapso do setor de quase 27% entre março e abril, causado pela pandemia do novo coronavírus.
O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de mortos (mais de 4,9 milhões de casos e 147.494 óbitos), depois dos Estados Unidos.
A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão e quarenta e cinco mil mortos e mais de 35,5 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

