Venezuela: Portugueses saem à procura de segurança, tratamento médico e reencontro familiar - Plataforma Media

Venezuela: Portugueses saem à procura de segurança, tratamento médico e reencontro familiar

Viver em segurança, fazer tratamento médico e reencontrar-se com os familiares, foram alguns motivos apontados por alguns dos 241 portugueses repatriados na terça-feira da Venezuela num voo realizado pela companhia portuguesa TAP.

Para estes portugueses, além da segurança e estabilidade, Portugal permite “relaxar” das tensões de viver o dia a dia num país de acolhimento em crise e do isolamento local da quarentena preventiva do novo coronavírus.

“Vamos definitivamente para Portugal, estamos migrando por problemas políticos, sociais, e muitas coisas que aconteceram na nossa vida”, explicou à Lusa o luso-venezuelano João Miguel Rodrigues, pouco antes do voo para Portugal.

Comerciante, João Miguel, explicou: “Fomos ao consulado, expor o nosso caso” e “graças a Deus o consulado nos incluiu no voo de repatriados”.

Segundo o pai, o mecânico João Jardim Rodrigues, a vida deles “estava em perigo” e foi tomada “a decisão de regressar”.

“Graças a Deus, estamos com vida e saúde, e queremos voltar à nossa terra. Lá estaremos mais tranquilos. Poderemos caminhar sem ter essa preocupação de que nos podem matar ou assaltar”, desabafou.

Por outro lado, Ana Maria Azevedo, que nasceu na Venezuela, radicou-se há dois anos no Funchal, por questões de segurança.

“Já estou de vez lá e vim à Venezuela porque a minha filha ia dar à luz à minha neta. Vim e fui apanhada pela pandemia. Enviei os dados ao Consulado português e me enviaram uma correspondência. Deve haver mais voos, há muita gente que quer regressar”, explicou.

“Eu era comerciante, sequestraram-me um filho e por motivo do sequestro eu fui para Portugal. Há quase dois anos que estou na Madeira, uma terra que é um cantinho do céu”, disse.

Maria Gorete de Sousa apanhou também o voo, mas esclareceu: “Não tenho data de regresso, o motivo é a situação país. Aqui está muito difícil, então temos que ir para lá, principalmente pela saúde”.

Para a Madeira irá também Maria Fernanda Freitas, depois de passar por Lisboa.

“Vivi em Portugal durante dois anos e agora vou por algum tempo. Para sair do ‘stress’ de estar encerrada dentro de casa. Em Portugal temos um pouco mais de liberdade e então vamos lá libertar a mente”, disse.

Sobre a situação do país, diz que “há tanta coisa para dizer, mas não se pode dizer por dizer”.

“Que a Venezuela fique bem, para sempre. Que seja livre para os nossos filhos e os nossos netos. Sou portuguesa, mas também tenho a Venezuela como o meu país. Há 55 anos que vivo aqui e então desejo o melhor para o povo venezuelano”, explicou.

Maria Salomé Camacho vai “para Lisboa, depois ao Porto, e se Deus quiser, à Madeira”. Esta feliz de regressar para celebrar os 80 anos da irmã, “um sonho que Deus faz que seja realidade”.

“Eu amo este país (Venezuela), tenho 45 anos aqui e tenho duas nacionalidades, a minha pátria Venezuela e a minha nação Portugal. Amo e quero as duas”, frisou.

A companhia aérea portuguesa TAP repatriou na terça-feira 241 portugueses retidos no país devido à pandemia da covid-19.

Segundo o cônsul-geral de Portugal em Caracas, Licínio Bingre do Amaral, “cerca de 800 portugueses foram repatriados” da Venezuela, desde março último, em voos organizados por Portugal e pela Espanha.

A Venezuela conta 658 mortos e 79.117 casos de covid-19, desde o início da pandemia. Até agora, 69.832 pessoas recuperaram da doença.

O país está desde 13 de março em estado de alerta, o que permite ao Governo decretar “decisões drásticas” para combater a pandemia.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão e quarenta e cinco mil mortos e mais de 35,5 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 2.032 pessoas dos 80.312 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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