Petrolífera Total pede empenho da Europa para ajudar em Cabo Delgado - Plataforma Media

Petrolífera Total pede empenho da Europa para ajudar em Cabo Delgado

O presidente executivo da francesa Total, Patrick Pouyanne, pediu aos líderes europeus para ajudarem Moçambique a combater os ataques armados na província de Cabo Delgado, onde a petrolífera vai explorar um megaprojeto de gás natural.

“Os países ocidentais estão a perceber que um enclave do Daesh [autodenominado Estado Islâmico] está a instalar-se em Moçambique, o que é um grave problema para a estabilidade da África Oriental”, disse Pouyanne, durante uma conferência de imprensa nos arredores de Paris, citada pela agência de informação financeira Bloomberg.

“Seria bom que a situação fosse novamente colocada sob controlo, não apenas por causa do projeto da Total, mas por causa da estabilidade da região”, apontou o líder da petrolífera francesa, que tem um grande investimento na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

Há mais de um mês que os insurgentes ocuparam uma cidade a 60 quilómetros a sul do local onde a Total planeia gastar 20 mil milhões de dólares (17 mil milhões de euros) para extrair gás natural e exportá-lo para os clientes europeus e asiáticos.

As declarações surgem depois de um encontro entre o francês e o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, no qual a ameaça terrorista na região foi um dos principais tópicos da conversa, e na sequência do pedido formal de ajuda lançado por Moçambique à União Europeia.

A província costeira mais a norte de Moçambique, que faz fronteira com a Tanzânia, enfrenta uma crise humanitária com mais de mil mortos e 250.000 deslocados internos após três anos de conflito armado entre as forças moçambicanas e rebeldes, cujos ataques já foram reivindicados pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico, mas cuja origem continua por esclarecer.

A região deverá acolher nos próximos anos investimentos da ordem dos 50 mil milhões de dólares (42,6 mil milhões de euros) em gás natural, liderados pelas petrolíferas norte-americana Exxon Mobil e francesa Total (que já tem obras no terreno), com apoio de bancos e agências de apoio ao comércio externo de vários países, entre os quais os Estados Unidos da América.

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