Relações entre Austrália e China pioram com a detenção de pivô televisiva em Pequim - Plataforma Media

Relações entre Austrália e China pioram com a detenção de pivô televisiva em Pequim

As autoridades chinesas detiveram uma pivô australiana que trabalha para o canal CGTN (China Global Television Network). A Austrália avisara os seus cidadãos em julho que o risco de serem detidos na China aumentou


O Ministério das Relações Exteriores da Austrália disse que Cheng Lei, cidadã australiana e pivô da emissora estatal internacional chinesa CGTN (China Global Television Network), foi detida há duas semanas. Segundo a BBC, a ministra das Relações Exteriores australiana, Marise Payne, disse que o consulado realizou uma visita virtual, via vídeo, a Cheng Lei.

Os motivos da detenção da jornalista não foram referidos por Pequim.

O governo da Austrália alertou os seus cidadãos em julho de que corriam um risco elevado de serem detidos na China. Tudo porque as tensões entre os dois países aumentaram nos últimos meses, depois de a Austrália ter liderado os pedidos internacionais para uma investigação oficial às origens da pandemia de coronavírus na China.

Na segunda-feira, a China anunciou uma segunda investigação sobre as importações de vinho australiano. Na semana passada, o governo federal da Austrália disse que planeia promulgar uma legislação que permitirá o cancelamento de acordos governamentais locais com países estrangeiros – uma medida amplamente vista como sendo dirigida à China.

Cheng Lei em “vigilância residencial”

A pivô Cheng Lei está sob “vigilância residencial num local designado”, de acordo com a ABC News. Os investigadores chineses podem interrogar e prender um suspeito até seis meses sem acusação formal. No entanto, Pequim ainda não confirmou qual a medida de coação aplicada à jornalista. O Ministério das Relações Exteriores da Austrália foi notificado de sua detenção em 14 de agosto. “As autoridades australianas fizeram uma visita consular virtual a Cheng Lei a 27 de agosto. Na altura, ela estava num centro de detenção. Vamos continuar a providenciar apoio à sua família”, referiu um comunicado do ministério.

Cheng Lei tem dois filhos pequenos na Austrália. A ABC News disse que os amigos e familiares não tiveram qualquer notícia dela nas últimas semanas. Um comunicado de sua família disse que espera “uma conclusão satisfatória e oportuna” e que está em contacto permanente com o Departamento de Relações Exteriores e Comércio da Austrália.

O canal onde Cheng Lei trabalha, o CGTN, é um canal internacional chinês de notícias em inglês, propriedade da China Central Television (CCTV), uma emissora estatal de Pequim. Controlada pelo Partido Comunista da China, o CGTN visa captar público no estrangeiro.

Cheng Lei trabalha para o CGTN há oito anos, onde apresenta um programa sobre negócios globais. Anteriormente, foi correspondente da CNBC Ásia na China. Após a sua detenção, o perfil de Cheng no site do CGTN foi removido juntamente com vários artigos que assinou.

O Lowy Institute afirmou que o governo chinês usa a CGTN para “ajudar a formar uma opinião global positiva” sobre o país e “aumentar o seu poder brando em todo o mundo”.

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