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Primeira surfista profissional do Senegal eleva modalidade no país e vai aos Jogos Olímpicos

Reuters

Khadjou Sambe cresceu na capital Dakar e é a primeira mulher negra a surfar as ondas do Atlântico no Senegal. Tornou-se profissional do surf e agora serve de inspiração às gerações futuras

Sem se intimidar com o adiamento dos Jogos Olímpicos, onde Sambe vai representar o Senegal na estreia do surf como modalidade olímpica, a africana treina sempre que as condições permitam, numa praia perto da sua casa, no bairro pobre de Ngor – o ponto mais ocidental do continente africano.

“Quando estou na água, sinto algo extraordinário, algo especial no meu coração”, disse Sambe à Reuters, enquanto veste uma camisola do projeto “Black Girls Surf” (BGS), que ajuda meninas e mulheres negras ao redor do mundo a entrarem no mundo do surf.

Sambe é uma Lebou orgulhosa – uma etnia que tradicionalmente vive à beira-mar -, mas quando era adolescente, os pais recusaram -se a deixá-la surfar durante dois anos e meio, defendendo que isso envergonhava a família. “A minha determinação foi forte o suficiente para fazê-los mudar de ideia”, sorriu.

Sambe, para além de apostar forte na sua carreira, também treina as meninas locais, incentivando-as a desenvolver força física e mental para surfar as ondas e quebrar barreiras numa sociedade conservadora onde geralmente se espera que as mulheres fiquem em casa, cozinhem, limpem e casem jovens. “Aconselho sempre a que não ouçam essas coisas retrógadas”, assumiu.

Os residentes de Ngor já se acostumaram a ver Sambe a carregar a prancha pelos becos que a levam até à costa. Nos últimos meses, no entanto, ocupou uma casa com vista para o oceano como base durante uma visita da mentora e fundadora da BGS, a americana Rhonda Harper.

“Costumava ver pessoas a surfar e pensava para mim mesma: mas onde estão as mulheres?” Depois disso, foi fácil. Sambe tomou a decisão: “Vou surfar, uma negra a representar o meu país, Senegal, a representar a África.”

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