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A história do português mais influente na ONU antes de Guterres

Leonídio Paulo Ferreira

Antigo alto funcionário das Nações Unidas, Victor Ângelo foi equiparado a secretário-geral adjunto. Nascido em Évora, foi exilado político muito jovem e regressou logo após a revolução de 1974 a Portugal, tendo ajudado a organizar as primeiras eleições livres. Desafiado pela ONU para um projeto em São Tomé, foi o início de uma carreira muito ligada a África, que o fez conhecer líderes como Machel e Mugabe. Voltou há dias a Lisboa, agora a sua morada permanente ao fim de quatro décadas a viver no estrangeiro.

Sei que esteve na organização das primeiras eleições livres que houve em Portugal, a 25 de abril de 1975 para a Assembleia Constituinte. Como é que foi parar à CNE?
Eu, nessa altura, era técnico superior no INE e o governo lembrou-se de que seria interessante ter alguém da estatística como membro da CNE. Consultaram dois ou três partidos e um deles disse que havia um fulano no INE que esteve no estrangeiro, que trabalhou no Instituto de Sociologia em Bruxelas. Assim, entrei como membro independente, porque a CNE tinha os comissários independentes e tinha, depois, os representantes dos partidos. Uma das primeiras coisas que notámos logo nas primeiras reuniões foi que era impossível fazer funcionar a Comissão com este tipo de mistura. Uma das primeiras decisões que propusemos ao governo foi que os representantes dos partidos saíssem da CNE.

É de Évora, estudou na cidade e tinha 25 anos no 25 de Abril. Vivia na Bélgica por razões políticas?
Sim, eu fui refugiado político. Saí de Portugal em julho de 1973 e estava no Instituto de Sociologia da Universidade de Bruxelas como investigador quando foi o 25 de Abril. Vim logo a seguir – já estava cá no 1.º de Maio – e depois fui eleito, pelos funcionários do INE, como um dos membros da Comissão de Direção do Instituto.

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