Pesquisadores brasileiros descobriram que o novo coronavírus chegou ao país de vários pontos, desde a Europa, América do Norte e Oceania, informou nesta terça-feira a estatal Agência Brasil.
Uma pesquisa conjunta realizada pela Fundação Oswaldo Cruz e o Colégio Universitário de Londres, do Reino Unido, descobriu que as cepas do vírus que circulam no Brasil são parecidas às encontradas em outros continentes, o que indica que o patógeno que causa a COVID-19 entrou no país por vários pontos.
A identificação ocorreu durante o desenvolvimento de um novo protocolo para o sequenciamento do novo coronavírus, quando foram decodificados 18 genomas completos em amostras de pacientes de cinco estados do Brasil e do Distrito Federal.
A chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo, Marilda Siqueira, explicou que acompanhar a evolução viral ao longo do tempo é importante para monitorar as variações que levam aos casos mais graves da doença.
“Além de traçar as rotas de dispersão no mundo e no interior do país, a vigilância genômica integrada à vigilância epidemiológica é necessária para monitorar a ocorrência de variações genéticas que podem estar associadas à gravidade da doença ou à resistência a medicamentos”, disse Siqueira à Agência Brasil.
Os dados foram inseridos na plataforma Gisaid, criada em 2008 após a pandemia da gripe H5N1, chamada inicialmente de gripe aviária.
A plataforma compartilha informações de genomas dos vírus Influenza, Sincicial Respiratório e Sars-CoV-2 (nome técnico do novo coronavírus) e já tem 35 mil sequências genômicas do novo coronavírus.
O sequenciamento do genoma do novo coronavírus possibilita o acompanhamento em tempo real do progresso e entendimento da nova doença, contribuindo para a pesquisa e desenvolvimento de tratamentos médicos.
O novo protocolo de sequenciamento genético do Sars-CoV-2 , desenvolvido pela Fiocruz e o Colégio Universitário de Londres, é mais rápido e tem menor custo, além de oferecer alta cobertura da extensão do genoma e reduzir falhas.
Segundo a Fiocruz, a metodologia permite sequenciar o genoma completo a partir de amostras retiradas de pacientes, sem a necessidade de isolar o vírus, além de ter a capacidade de sequenciar até 96 genomas ao mesmo tempo.
Segundo a pesquisadora Paola Cristina Resende, do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo, responsável pelo desenvolvimento do protocolo, as diferenças encontradas no vírus ao redor do mundo ainda são pequenas.
“Como esse vírus circula há pouco tempo em humanos, ele acumulou um número pequeno de mutações e os genomas são muito parecidos em todo o mundo. Entre as cerca de 30 mil bases que compõem o RNA (material genético) do novo coronavírus, observamos que poucas bases diferenciam uma cepa da outra”, comentou.