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EUA e China somam metade da despesa mundial em Defesa

A pandemia obrigou a maioria dos estados a suspender as operações militares. Mas as duas superpotências rivais já gastaram em 2019 o equivalente a 52 por cento dos custos globais com Defesa no mundo.

Os dois gigantes, Estados Unidos (EUA) e China, não são apenas rivais no plano económico. Segundo o relatório do Instituto Internacional de Estocolmo para a Investigação da Paz (SIPRI), as duas superpotências são também as líderes nos gastos em Defesa em todo o mundo, representando juntas 52 por cento do total de custos globais com as Forças Armadas, escreve o jornal espanhol El País.

Os EUA gastaram com o setor da Defesa 732 mil milhões de dólares em 2019, 38 por cento dos custos globais militares no mundo. O aumento deveu-se, sobretudo, a custos de pessoal, por causa do recrutamento de 16.000 novos militares norte-americanos e da contínua modernização do arsenal de armas militares convencionais e nucleares do país.

Nos Estados Unidos, a despesa no setor representa 3.4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), a mais elevada do mundo.

O rival estratégico, a China, também aumentou os gastos em 5,1 por cento até aos 261 mil milhões de dólares, 14 por cento do total mundial de despesa no setor, logo atrás dos EUA. O gigante asiático gasta 1,9 por cento do PIB em Defesa.

Por outro lado, a Índia, que surge logo a seguir aos EUA e China no volume de gastos com a Defesa, aumentou os gastos militares em 37 por cento na última década. Além da tradicional rivalidade com o vizinho Paquistão, outra potência nuclear, há outro motivo para este investimento. “A crescente capacidade militar da China também é vista como uma ameaça para a Índia”, assinalou, em declarações ao El País, Pieter Wezeman, investigador do SIPRI e um dos autores do relatório.

A Turquia é outro caso interessante. O exército turco, o segundo maior da NATO, começou a receber no mês passado mísseis de defesa antiaérea S-400, de fabrico russo. Ancara, que intervém militarmente na Síria e na Líbia, aumentou os gastos com a Defesa em mais de 40 por cento nos últimos cinco anos e é vista como uma ameaça por vários outros aliados da aliança atlântica.

O aumento generalizado dos gastos no setor da Defesa em todo o mundo traduziu-se num total de despesa de 1,9 biliões de dólares (1,7 mil milhões de euros), um novo recorde pelo terceiro ano consecutivo.

Mas a pandemia de coronavírus vai obrigar muitos estados a ajustar os objetivos militares nos próximos anos.

A pandemia obrigou a maioria dos estados a suspender as operações militares. Mas as duas superpotências rivais já gastaram em 2019 o equivalente a 52 por cento dos custos globais com Defesa no mundo.

Os dois gigantes, Estados Unidos (EUA) e China, não são apenas rivais no plano económico. Segundo o relatório do Instituto Internacional de Estocolmo para a Investigação da Paz (SIPRI), as duas superpotências são também as líderes nos gastos em Defesa em todo o mundo, representando juntas 52 por cento do total de custos globais com as Forças Armadas, escreve o jornal espanhol El País.

Os EUA gastaram com o setor da Defesa 732 mil milhões de dólares em 2019, 38 por cento dos custos globais militares no mundo. O aumento deveu-se, sobretudo, a custos de pessoal, por causa do recrutamento de 16.000 novos militares norte-americanos e da contínua modernização do arsenal de armas militares convencionais e nucleares do país.

Nos Estados Unidos, a despesa no setor representa 3.4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), a mais elevada do mundo.

O rival estratégico, a China, também aumentou os gastos em 5,1 por cento até aos 261 mil milhões de dólares, 14 por cento do total mundial de despesa no setor, logo atrás dos EUA. O gigante asiático gasta 1,9 por cento do PIB em Defesa.

Por outro lado, a Índia, que surge logo a seguir aos EUA e China no volume de gastos com a Defesa, aumentou os gastos militares em 37 por cento na última década. Além da tradicional rivalidade com o vizinho Paquistão, ou

MANOBRAS MILITARES SUSPENSAS
Dezenas de exércitos em todo o mundo cancelaram as operações militares e colocaram as tropas ao serviço da emergência sanitária que a pandemia tornou prioritária. Também parte da atividade industrial militar parou. Com as finanças asfixiadas pelo combate contra o coronavírus, muitos estados deverão ajustar os objetivos e gastos militares num futuro próximo.

A superpotência Estados Unidos suspendeu manobras conjuntas com aliados asiáticos como a Coreia do Sul ou Filipinas, e cancelou à última hora o que ia ser a maior movimentação de tropas norte-americanas na Europa em mais de 25 anos (6.000 soldados já se tinham deslocado).

Moscovo reagiu, abortando as manobras militares que iria realizar perto das fronteiras ocidentais.

A Aliança Atlântica (NATO) terminou as operações no Ártico oito dias antes do previsto.

Charlie Dunlap, general reformado norte-americano e atual diretor do Centro para a Lei, Ética e Segurança Nacional da Universidade de Duke, alerta para o perigo de todos os Exércitos terem os esforços concentrados na Covid-19. “Ao centrarem-se no vírus, os membros da NATO estão a descurar outros perigos. Os adversários estão conscientes de que agora estão mais vulneráveis face a um ciberataque, por exemplo”, afirmou o especialista ao El País.

A ASCENSÃO DA ALEMANHA E DO LESTE EUROPEU
Em conjunto, a subida de gastos militares nos países da Aliança Atlântica (NATO) representou um crescimento de 17 por cento em 2019 face a 2015. Ainda assim, apenas nove dos 30 membros da NATO cumprem com o compromisso de destinar 2 por cento do PIB ao setor da Defesa.

Entre os países da NATO a subida mais notável registou-se na Alemanha com um crescimento de 10% por cento no ano passado até aos 49,3 milhões de dólares. O gasto de Berlim foi superior ao de Londres pela primeira vez desde o ano 2000 e ficou apenas 800 milhões abaixo do de Paris.

Nos últimos 30 anos, a atividade das Forças Armadas alemãs transformou-se para poder operar em zonas de conflito, geralmente sob o mandato da Organização das Nações Unidas (ONU) ou da NATO, como aconteceu na Bósnia, Kosovo ou Afeganistão.

“Além disso, os acontecimentos relacionados com Moscovo na última década, especialmente a anexação da Crimeia em 2014, aumentaram a perceção da ameaça russa, partilhada dentro da NATO”, sublinha Pieter Wezeman.

Segundo o relatório, a tendência é semelhante noutros Estados do centro e do leste da Europa. Em 2019, por exemplo, a Bulgária aumentou em 127 por cento a despesa militar, o único país cujos gastos cresceram mais do dobro, sobretudo pela aquisição de novos aviões de combate norte-americanos.

Rute Coelho, Plataforma – Lisboa

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