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Ventiladores: procura maior que a oferta

O surto de coronavírus continua a crescer em todo o mundo. Paralelamente, aumenta a procura global por equipamentos médicos, especialmente ventiladores. As encomendas destes equipamentos produzidos na China não param de subir. Dados preliminares indicam que a atual procura mundial excede as 100 mil unidades, juntando-se às máscaras e aos termómetros como os equipamentos médicos mais procurados A escassez é agora vista como uma situação normal. 

O Ministro da Tecnologia e Indústria de Informação chinês, Xu Kemin, disse esta semana em conferência de imprensa que até ao fim de março os principais produtores do país tinham fornecido mais de 27 mil ventiladores, 3.000 dos quais com características técnicas especiais. 

Xu acrescentou que atualmente a China possui um total de 21 produtores de ventiladores, oito dos quais detentores dos certificados de qualidade exigidos pela União Europeia. Estes fornecedores representam, segundo o responsável, “da capacidade de produção mundial”, tendo já recebido 20 mil encomendas. 

“Possuímos grandes encomendas até julho e para respondermos à procura estamos ativos 24 horas por dia, sete dias por semana. Estamos também em fase de negociação com vários outros grandes compradores de todo o mundo”, indicou Xu Kemin. 

Adiantou ainda que, sensivelmente desde meados de março, a China “já forneceu mais de 1700 ventiladores para o resto do mundo (metade da oferta mundial este ano), ao mesmo tempo garantindo que possui oferta para dar resposta à procura nacional”. 

Em circunstâncias normais, os ventiladores não são um produto muito procurado, sendo que cerca de uma dúzia é suficiente para um hospital normal. Porém, como o novo vírus ataca principalmente os pulmões dos infetados, causando doenças como pneumonia e síndrome respiratória aguda, estes necessitam de ventiladores para conseguirem respirar, manter o sangue oxigenado e evitar falhas no sistema respiratório e outros órgãos. Para casos graves de Covid-19, os ventiladores são a única salvação. 

Os ventiladores são equipamentos especialmente grandes e caros (entre os 25 e 50 mil dólares), e na maioria dos hospitais apenas estão disponíveis nas zonas de cuidados intensivos. 

Trata-se de um tipo de equipamento limitado ao uso de um único doente. Sem contar com o tempo de desinfeção, é uma máquina que opera mais de 10 horas por dia e, para casos de Covid-19, serve um paciente normalmente durante um período de 10 dias. Por isso, quando o número de infetados por novo coronavírus cresceu de forma rápida, a oferta de ventiladores tornou-se escassa. 

o surto na China representou 60 por cento do fornecimento de ventiladores em todo o país. Todavia, Li Wenmei, secretário do conselho da empresa, esclareceu que “as encomendas e capacidade de produção atuais da empresa são já várias vezes superiores àquelas que existiam durante o surto nacional”. 

Avançou que à medida que a situação na China melhora e se agrava no resto do mundo, a empresa está “a tentar pôr em espera as encomendas nacionais, para poder atender a outros compradores em locais que mais necessitam”. 

Segundo o jornal “Financial News”, algumas grandes fábricas possuem encomendas até junho-julho, com pequenos produtores também a possuírem grandes números de encomendas. A escassez de materiais e o atraso nos serviços de logística têm também contribuído para a falta de ventiladores. 

Xu Kemin apontou ainda o encontro com os jornalista que a indústria de produção de ventiladores chinesa está atualmente a sofrer com esta escassez de componentes e atrasos nos serviços de logística, afetando assim a capacidade produção. 

O governante lembrou igualmente que um único ventilador é composto por milhares de peças, cujos fornecedores são não só chineses como estrangeiros, incluindo europeus. 

“Por isso não é fácil aumentar a capacidade de produção com o atual impacto da pandemia. Seria irrealista achar que é possível dar resposta a todos”, assinalou, concluindo: “Ao mesmo tempo, exigimos que os fornecedores sigam um rigoroso controlo de qualidade e segurança durante a produção.” 

O Ministério da Tecnologia e Indústria de Informação chinês promoveu no final do mês uma videoconferência para discutir a expansão coordenada da produção de certos equipamentos, com a participação de produtores de ventiladores nacionais, para compreender quais “as dificuldades que estes enfrentam e criar medidas para a expansão da cadeia industrial.” 

WENDI SONG 03.04.2020

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