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O que se segue

A China é o maior parceiro comercial do Brasil e o principal investidor externo no país sul-americano, tendo comprado, nos últimos anos, ativos estratégicos nos setores da energia e mineração. Bolsonaro chega a Pequim na próxima semana, para aquele que é o primeiro encontro oficial dos líderes de duas das principais economias do mundo. O contexto não é fácil, mas tem sido favorável ao presidente brasileiro.

Hoje, os dois líderes trocam galhardetes, apertos de mão e posam para a foto com um sorriso. Mas a relação nem sempre foi pacífica. Nem há um ano, Jair Bolsonaro era um crítico feroz do investimento chinês no país. “A China não está comprando no Brasil, ela está comprando o Brasil”, afirmava durante a campanha eleitoral, antes de ser eleito presidente em janeiro. E advertia: “Você vai deixar o Brasil na mão do chinês”. 

Na altura, Bolsonaro, candidato de extrema-direita, tentava reaproximar-se do presidente norte-americano, Donald Trump. Prometia também repensar a filiação do país ao BRICS [bloco de grandes economias emergentes, que inclui ainda China, Rússia, Índia e África do Sul]. Em fevereiro de 2018, visitou Taiwan, que lhe valeu a condenação formal de Pequim, que considera a ilha parte do território chinês. 

Depois de eleito, Bolsonaro suavizou o tom e garantia que o Brasil está comprometido em manter os laços com a China, independentemente das diferenças ideológicas.

A afirmação caiu bem a Xi Jinping, que, em janeiro deste ano, enalteceu Bolsonaro numa carta enviada ao homólogo. Citado pela agência noticiosa oficial Xinhua, Xi referia que, como dois grandes países em desenvolvimento e importantes mercados emergentes, a China e o Brasil têm “a responsabilidade” de melhorar as suas economias, preservar a paz mundial e promover o desenvolvimento.

Mais tarde, quando questionado sobre a China durante um encontro com o presidente norte-americano em março, Jair Bolsonaro, sentado ao lado de Trump, dizia: “O Brasil vai fazer por ter o maior volume de negócios com o maior número de países possível. A partir de agora já não são os negócios que vão atrás da ideologia, como foi até hoje”. 

A China tornou-se o principal parceiro económico do Brasil em 2009, destronando os EUA que ocuparam o lugar durante oito décadas. 

Há dez anos, o comércio entre EUA eo Brasil recuava de 35.627 mil milhões de dólares para 17.403 mil milhões apenas em 12 meses. Com a China, incluindo as regiões autónomas de Macau e Hong Kong, as trocas comerciais atingiram os 39.298 mil milhões em 2009. 

Desde então, Washington tem ocupado o lugar de segundo parceiro comercial afastando-se cada vez mais do crescimento que o Brasil regista nas relações económicas com a China.

No ano passado, as relações sino-brasileiras totalizaram 102.416 mil milhões de dólares, quase o dobro do total com os EUA – 57.741 mil milhões. As exportações do Brasil para a China atingiram os 66.6 mil milhões de dólares, o que representou um crescimento de 32 por cento face ao ano anterior de acordo com os dados oficiais.

Os números do Ministério das Relações Exteriores mostram ainda que o Brasil bateu recordes na venda de produtos como a soja, da qual a China é o maior mercado. 

Em 2017, o Continente foi o destino de 22 por cento das exportações brasileiras e de 18 por cento das importações. No ano seguinte, passou a ser o principal importador de cinco dos dez produtos mais exportados do Brasil: soja petróleo antes de ser refinado, ferro, celulose, e carne de vaca. 

O país sul-americano tem assumido um papel importante como fornecedor do Continente, sobretudo desde que a guerra comercial entre Pequim e os Estados Unidos começou, especialmente ao nível da exportação de soja. A China é o maior consumidor de soja. Em 2018, a China importou 88 milhões de toneladas do produto, sendo que cerca de 66.1 milhões do total vieram do Brasil mais 30 por cento face ao ano anterior e  75 por cento do total que Pequim tinha importado. 

Mas não é só a venda de soja que cresce. No ano passado, o Brasil vendeu 1.5 mil milhões de dólares norte-americanos de carne processada para a China – mais 60 por cento face a 2017. O líder do setor de agricultura da Apex-Brasil, Igor Bradao, prevê que a comida processada represente 40 a 50 por cento das exportações do Brasil para a China, nos próximos 10 a 12 anos. O think tank Cebri diz que o  Brasil está no leque de grandes economias ocidentais que mantém uma política recetiva ao investimento da China. 

Números

Em 2018, as trocas comerciais entre o Brasil e a China registaram um resultado favorável de 29 mil milhões de dólares norte-americanos para o país sul-americano 

O Governo do Brasil referiu que, neste ano, há um saldo positivo da balança comercial com a China de 17,7 mil milhões de dólares. Já as trocas comerciais do país com os Estados Unidos terminaram 2018 com um défice de 271 milhões de dólares

Nos oito primeiros meses de 2019, os números indicam que as exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram 19,7 mil milhões de dólares, um aumento de 13,3 por cento. Ainda assim, a balança comercial também acumula défice para o Brasil de 351,5 milhões de dólares.

Catarina Brites Soares com agências 18.11.2019

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