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Bem posicionada na ligação aos países de língua portuguesa

O Hong Kong Trade and Development Council (HKTDC) acredita que Hong Kong e Macau terão oportunidades para cooperar na exploração de oportunidades com a iniciativa Uma Faixa Uma Rota. Wing Chu, economista responsável pelo estudo da nova estratégia de internacionalização chinesa no organismo de promoção do comércio e investimento, destaca as ligações ao países de língua portuguesa. 

Para a região vizinha, que tal como Macau se debate com um período de abrandamento em resultado da desaceleração na China continental, o sucesso do projeto das novas rotas da seda significará a reanimação. As empresas do Continente deverão canalizar mais investimento através da região, recrutar serviços e procurar financiamento – a principal dificuldade encontrada do lado de lá das fronteiras, de acordo com os estudos conduzidos pelo HKTDC.

 – As autoridades centrais têm vindo a conduzir uma política de estímulo. Apesar disso, as dificuldades em obter financiamento são o principal problema identificado pelas empresas da China continental que pretendem investir no exterior e no âmbito da iniciativa Uma Faixa Uma Rota. Porque é que isto acontece?

Wing Chu – Há muitos fundos disponíveis. É um facto que não está errado. O problema é que, havendo o financiamento, ele não está disponível para todo o tipo de empresas. As grandes empresas, e as estatais em particular, estão numa boa posição. Sabemos também que há muitos fundos imobilizados à espera de oportunidades de investimento no exterior. No entanto, para a maioria das empresas de média dimensão, também as pequenas, aceder a financiamento está dependente de que tenham perspectivas de negócio muito boas. Devido à deterioração do ambiente externo e abrandamento do mercado doméstico, estas perspectivas agravaram-se. Encontram dificuldades em obter fundos e em responder aos requisitos dos bancos. Os bancos exigem planos e modelos de negócios atraentes. A situação atual do mercado impede que obtenham dinheiro adicional para expansão de operações. 

– Como é que Hong Kong pode servir estas empresas com o financiamento que não é possível obter no Continente?

W.C. – Os nossos estudos centram-se na expansão internacional de operações e, em particular, no projeto Uma Faixa Uma Rota. Aqui, Hong Kong pode ser uma grande ajuda. Para além das perspectivas do mercado que referi, quando falamos de expansão internacional as instituições financeiras domésticas chinesas não estão tão aptas a financiar negócios internacionais. A sua rede principal tem por base o mercado doméstico, não é seu ponto forte financiar para o exterior. Hong Kong é um centro financeiro internacional que integra na sua rede as empresas do Continente chinês. Se estas desejarem expandir operações para fora, muito provavelmente conseguem em Hong Kong financiamento para tais projetos internacionais a custos reduzidos e da parte de instituições financeiras oriundas do Continente. É essa a vantagem de Hong Kong. 

– No atual momento económico de Hong Kong, observa-se uma contração no primeiro trimestre com alguma recuperação até meados do ano, mas perspectivas pouco optimistas. A exploração de oportunidades no âmbito da iniciativa Uma Faixa Uma Rota em associação com as empresas da China continental pode ser uma resposta significativa para a promoção do crescimento?

W.C. – Vejo o assunto segundo dois prismas. O primeiro é o do comércio. Com a iniciativa Uma Faixa Uma Rota a China vai fortalecer as vias de comércio com os países abrangidos. Hong Kong é por tradição um centro de comércio, em grande parte servindo a atividade comercial externa da China continental. Um incremento nas trocas bilaterais entre a China e os países das novas rotas da sede beneficiará em certa medida o desenvolvimento de Hong Kong como plataforma comercial. Para além disso, uma das áreas mais prometedoras é o sector dos serviços. Quando as empresas do continente procuram expandir mercado e aumentar o investimento no exterior, precisam de recorrer a diferentes tipos de serviços profissionais que apoiem essa atividade internacional. Por exemplo, são necessários serviços jurídicos para levar a cabo as diligências de investimento e serviços financeiros que financiem os projetos. São também precisos consultores, serviços de contabilidade e de planeamento fiscal para minimizar a carga de impostos, serviços de marketing, serviços de certificação de qualidade.  

– Tendo em conta que muito investimento está já a decorrer, é visível um aumento da procura por serviços em Hong Kong?

W.C. – Certamente. Olhando para os números, a China é o terceiro maior exportador de investimento direto do mundo, após os Estados Unidos e o Japão. Quase dois terços destes capitais passam por Hong Kong, que serve de plataforma para o investimento no exterior. Isso acontece já porque Hong Kong consegue providenciar uma grande gama de serviços profissionais e porque a região é uma óptima localização para obter financiamento. Nesta nova etapa de mobilização de investimento para o exterior, as empresas do Continente estão já a recorrer aos serviços de Hong Kong. 

– Foi criado um novo mecanismo para o financiamento de infraestruturas pela Autoridade Monetária de Hong Kong. Como é que este desenvolvimento pode apoiar o projeto de posicionar Hong Kong para melhor servir a iniciativa Uma Faixa Uma Rota?

W.C. – Um dos aspectos principais da iniciativa é o investimento em infraestruturas nos países abrangidos. Os nossos estudos indicam que uma menor proporção de empresas da China continental está interessada no desenvolvimento de infraestruturas. Isso deve-se ao facto de, no conjunto da economia chinesa, o número de empresas envolvidas no comércio e nos serviços ser muito maior. Daí que haja essa indicação principal nos resultados dos estudos. Há muitas empresas do Continente envolvidas e Hong Kong tem também um grande número de empresas dedicadas à construção de infraestruturas que também estão interessadas nas oportunidades das novas rotas da seda – sobretudo, nas economias emergentes da Ásia. Mas serão necessários serviços financeiros e jurídicos que ajudem a realizar o investimento.

– Haverá a oportunidade de as empresas de serviços de Macau se envolverem e, de alguma forma, complementarem Hong Kong? E, havendo essa capacidade, como é estas se devem posicionar?

W.C. – O que sinto é que as empresas de Macau devem unir-se a Hong Kong no serviço às empresas do Continente. Sei que Macau está bem posicionada na ligação aos países de língua portuguesa, mas Hong Kong é ao mesmo tempo um centro regional de negócios. Macau é relativamente pequena, mas tem a vantagem de uma ligação forte a esses países. Quando os agentes financeiros e jurídicos de Hong Kong prestem serviços a empresa do Continente que pretendem investir em países de língua portuguesa, podem alinhar-se com empresas de Macau para garantir os diferentes tipos de serviços necessários. Tenho a certeza que aqui os prestadores de serviços das duas regiões podem dar as mãos e explorar oportunidades conjuntamente. Se as empresas de Macau vierem até Hong Kong vão descobrir que há imensos parceiros com os quais unir esforços para agarrar essas oportunidades. 

–  Do ponto de vista institucional, o Hong Kong Trade and Development Council e as suas contrapartes em Macau comunicam neste sentido?

W.C. – As ligações oficiais são geridas noutro departamento que não o meu, mas no meu, que lida com a partilha de informação, posso dizer que há já colaboração com instituições de Macau que realizam investigação. Ainda nas últimas semanas estive em contato com departamentos da Universidade de Macau, que se mostraram disponíveis para partilhar conosco resultados de estudos sobre a iniciativa Uma Faixa Uma Rota.  

Maria Caetano  

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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