MACAU TAMBÉM QUER ENTRAR NA APEC - Plataforma Media

MACAU TAMBÉM QUER ENTRAR NA APEC

 

Macau, que recebe até domingo a reunião ministerial do turismo da APEC (Cooperação Económica da Ásia-Pacífico), quer ir além da organização deste evento internacional. Em entrevista ao Plataforma Macau, o secretário-geral da comissão organizadora da conferência em Macau, Alexis Tam, diz que a RAEM quer fazer parte deste bloco, mas a decisão está nas mãos da APEC. Alexis Tam acredita também que o evento, que reúne 21 economias da região Ásia-Pacífico, é uma oportunidade para diversificar o tipo de turista que chega a Macau e que vem sobretudo do Continente chinês. “Gostaríamos de atrair mais turistas destes países da APEC”. sublinha.

 

PLATAFORMA MACAU – Hoje começa o segundo encontro da APEC. Que balanço faz da organização destes primeiros dias?

ALEXIS TAM – O balanço é muito positivo. Temos vindo a fazer um grande trabalho desde o fim do ano passado. Nessa altura, o vice-primeiro ministro da China, Wang Yang, veio a Macau e anunciou que Macau iria acolher a 8.ª Reunião Ministerial do Turismo. Depois, o Chefe do Executivo criou uma equipa, penso que forte, para organizar este evento. Nos encontros com os líderes nacionais da China, incluindo o Presidente Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Keqiang, entre outros, todos disseram que este evento vai ser o mais importante para Macau. Serve para marcar o 15.º aniversário do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau. Por isso, todos os nossos colegas estão a envidar grandes esforços para a organização da reunião da APEC.

 

P.M. – Por que acha que o Governo Central escolheu Macau?

A.T. – A escolha de Macau reflete o total apoio do Governo Central da República Popular da China. É a primeira vez que a China é o país anfitrião da APEC em 13 anos. Esta é uma reunião económica multilateral ao mais alto nível e a primeira da APEC desde que a nova liderança da RPC tomou posse. É muito importante.

 

P.M. – Numa altura em que o território se tenta posicionar como plataforma na organização de convenções e eventos, este é um passo importante para Macau?

A.T. – Sim, claro. Isso também é a nossa missão. Nós temos duas missões importantes estabelecidas pelo Governo Central: sermos um centro internacional de turismo e lazer e uma plataforma de comércio entre a China e os países lusófonos. No âmbito da plataforma, já foi realizada no final do ano passado uma reunião ministerial com os países lusófonos e este ano temos a reunião ministerial de turismo. Tudo se relaciona com a área do turismo.

O Governo de Macau também poderá aproveitar esta oportunidade para mostrar às 21 economias presentes a implementação do princípio ‘um país, dois sistemas’ para a sua melhor compreensão.

 

P.M. – O orçamento deste encontro foi de 75 milhões de patacas. Que impacto económico é que um evento destes pode ter para Macau? Quais são as expectativas?

A.T. – Posso dizer que nunca houve um evento internacional como este em Macau, pelo menos, no mandato deste Chefe do Executivo. Nunca houve uma organização desta natureza. Este orçamento é razoável e justificável, porque vai haver um impacto muito grande. Através da organização deste evento, poderemos estabelecer no futuro uma maior cooperação com estas economias em prol do desenvolvimento de Macau.

P.M. – Quantas pessoas fizeram parte da organização?

A.T. – Mais de 500 colegas estiveram envolvidos.

 

P.M. – Hong Kong faz parte da APEC. Qual a razão para Macau estar fora? 

A.T. – Nós também queríamos fazer parte da APEC. Esta questão já me foi colocada por colegas seus em outras ocasiões. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China está a ajudar a RAEM para a entrada na APEC. Mas a questão tem de ser analisada pela organização da APEC.

 

P.M. – Vão fazer algum pedido para integrar a APEC?

A.T. – Isso já não é connosco, mas é com o Ministério dos Negócios Estrageiros. Para nós, Governo da RAEM, gostaríamos muito e o Governo Central também tem interesse mas a questão ou decisão não é nossa, é da organização da APEC.

 

P.M. – Mas Macau está a participar nestas reuniões ou é apenas organizador?

A.T. – Sim, participamos. O Chefe do Executivo, eu, e o Secretário para os Assuntos Sociais e da Cultura e a Diretora dos Serviços de Turismo também fazemos parte da delegação da República Popular da China.

 

P.M. – Falou-se nestes primeiros dias num plano para aproximar as economias da região Ásia Pacífico através de melhores ligações aéreas. Há alguma novidade nesse sentido para Macau?

A.T. – Não conhecemos bem o conteúdo, mas será de certeza abordado durante a reunião ministerial, que ainda não se realizou. No fim, vai haver uma “Declaração Macau”, que é o balanço da reunião do dia 13 de setembro.

 

P.M. – Fala-se muito num turismo integrado, inteligente ou de baixo carbono. Um tema que interessa particularmente a Macau, sendo que o turismo é uma das maiores fontes de poluição na RAEM. Que se pode fazer a nível de cooperação neste sentido?

A.T. – Vêm vários oradores e acho que pode ser muito interessante. Gostava de conhecer a sua opinião.

A indústria de turismo está numa boa situação. Há cada vez mais turistas, mas vêm sobretudo da China. Também gostaríamos de atrair mais turistas destes países da APEC. Tem de haver maior cooperação com os membros desta região. Aqui na Ásia, temos, por exemplo, o Brunei, Tailândia, Vietname, Taiwan, Malásia, Singapura. Estão representados também alguns países da América Latina. Todas estas economias poderão ter mais acesso ao intercâmbio com Macau. Há também uma grande curiosidade por parte destes 21 membros em saber como Macau conseguiu em tão pouco tempo tornar-se num centro internacional de turismo e lazer. Eles também querem saber e aprender com o território. Isso é bom.

 

P.M. – Estao previstas manifestações para este fim de semana de trabalhadores do setor do jogo. Poderão perturbar a reunião ministerial da APEC?

A.T. – Não. Macau é livre. Por que não? Para todos os países, incluindo estas 21 economias, as manifestações são naturais. Não há problema. A manifestação não é contra o Governo de Macau.

 

Catarina Domingues

 

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