Este foi o primeiro caso confirmado de espionagem com recurso ao “Predator” em Angola, o que representa um “atentado absoluto ao direito à privacidade”, declarou à Lusa fonte da Organização Não-Governamental, Amnistia Internacional (AI).
O “Predator” é um sistema de ‘spyware’ (espionagem) desenvolvido e comercializado pela empresa Intellexa, capaz de aceder a “todos os dados armazenados ou transmitidos” pelo telefone infetado, incluindo microfone e câmara, segundo a gestora de operações do laboratório de segurança da AI. A infeção pode ocorrer através do clique em ligações fraudulentas ou do acesso a redes que redirecionam para páginas disfarçadas.
A organização indicou que este foi o primeiro caso confirmado de utilização deste tipo de ‘spyware’ em Angola, embora existam indícios de que a ferramenta esteja a ser usada no país desde o início de 2023, sobretudo contra jornalistas, ativistas e opositores políticos. Casos semelhantes só foram identificados noutros três países: Egito, Grécia e Paquistão.
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A deteção do ataque resultou também da colaboração, iniciada em 2025, entre a AI e organizações locais como a Friends of Angola (Amigos de Angola) e a Front Line Defenders (Defensores na Linha da Frente), que procuravam identificar defensores de direitos humanos em risco.
O também antigo secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos tem sido alvo de intimidação desde 2022, incluindo assaltos ao seu escritório, de acordo com a AI num comunicado.
A AI apelou a maior vigilância digital, recomendando a verificação da legitimidade de sites e a atualização regular do software dos telemóveis para prevenir ataques semelhantes. A organização afirmou ainda não ter recebido resposta da Intellexa após pedidos de esclarecimento.

