Durante uma visita improvisada com jornalistas, Trump falou por cima do ruído de martelos e serras elétricas enquanto enumerava com orgulho as características da obra, cujo custo duplicou para 400 milhões de dólares (345 milhões de euros).
Os críticos afirmam que o salão demonstra que o multimilionário Trump está desligado das preocupações dos eleitores, numa altura em que a guerra com o Irão está a provocar uma forte subida dos preços – mas o antigo magnata imobiliário parecia perfeitamente à vontade.
“Isto é um presente para os Estados Unidos da América”, disse Trump, junto a grades amarelas na extremidade de um enorme espaço subterrâneo em betão. “Tudo isto é dinheiro meu e de doadores. Isento de impostos”, sublinhou.
Os democratas opõem-se fortemente a uma proposta de alocação de mil milhões de dólares (862 milhões de euros) de fundos públicos para segurança associada ao salão de baile de Trump e estão a usar o tema para atacar os republicanos antes das eleições intercalares decisivas de novembro. No entanto, o Presidente de 79 anos aproveitou a visita para defender o salão como uma necessidade de segurança nacional.
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Sem aparente preocupação com detalhes classificados, Trump descreveu em pormenor o que afirmou serem seis pisos de instalações subterrâneas sob o salão.
“Há várias salas aqui em baixo, estão a construir um hospital, é um hospital militar. Estão também a construir todo o tipo de instalações de investigação, salas de reuniões e espaços ligados às necessidades militares”, afirmou Trump. “O salão de baile torna-se um escudo que protegerá totalmente o que está a acontecer cá em baixo”, acrescentou.
Trump afirmou que o telhado do salão – cuja construção implicou a demolição da Ala Este da Casa Branca – será “à prova de drones” e que os aparelhos “vão ricochetear”.
“Mas também foi concebido como um porto de drones”, acrescentou. “No telhado vamos ter o maior império de drones que alguém já viu e vai proteger Washington.” O lado promotor imobiliário de Trump esteve também em evidência quando falou sobre a influência da arquitetura da Grécia e Roma antigas no edifício, antes de oferecer pequeno-almoço aos jornalistas.
Trump tem repetidamente afirmado que o salão, cujo custo duplicou em relação à estimativa inicial de 200 milhões de dólares (173 milhões de euros), será financiado por doadores privados, incluindo apoiantes ricos e várias empresas. Contudo, os críticos defendem que os contribuintes acabarão por suportar os custos e consideram o projeto – assim como outras obras de renovação na capital – insensível numa altura em que a guerra com o Irão agravou o custo de vida.
Trump afirmou de forma direta na semana passada que “não pensa na situação financeira dos americanos” quando se trata da guerra com o Irão, insistindo que impedir Teerão de obter uma arma nuclear continua a ser a sua prioridade. Os opositores estão a usar essas declarações para retratar Trump como desligado da realidade, numa altura em que faltam menos de seis meses para as eleições intercalares que decidirão o controlo do Congresso norte-americano.
O salão enfrenta também desafios legais, depois de um juiz federal ter decidido, em abril, que a obra necessita de aprovação do Congresso. O projeto já levou à demolição da histórica Ala Este da Casa Branca, onde anteriormente funcionavam os gabinetes da Primeira-Dama, praticamente sem aviso prévio.
Trump afirma que o salão é necessário para acolher grandes banquetes destinados a líderes estrangeiros, embora a obra dificilmente esteja concluída antes do final do seu segundo e último mandato, em 2029.