Os desastres desencadearam quase 2,9 milhões de deslocações na África Subsaariana em 2025 e Moçambique registou 669.000 deslocações, de acordo com o relatório publicado pelo Centro de Monitorização das Deslocações Internas (IDMC), uma organização não governamental (ONG) que faz parte do Conselho Norueguês para os Refugiados.
“O ciclone Dikeledi desencadeou 167.000 deslocações na província de Nampula, no norte de Moçambique, no início de janeiro, e 20.000 em Mayotte [arquipélago francês entre Moçambique e Madagascar] apenas algumas semanas depois de o ciclone Chido ter provocado mais de 536.000 e 142.000 deslocações, respetivamente”, contextualiza o documento.
Por sua vez, o ciclone Jude seguiu-se, em março, desencadeando 493.000 movimentos em Moçambique, afetando muitas das mesmas populações, refere.
A costa leste da África Austral está exposta a ciclones todos os anos entre outubro e março, levando frequentemente a deslocações repetidas, de acordo com o documento. “A temporada 2024-2025 ilustrou este padrão. Ciclones de alta intensidade em sucessão rápida desencadearam 826.000 movimentos em 2025, o segundo valor mais elevado numa década”, frisa.
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“Os choques repetidos sublinharam a exposição do país [Moçambique] a vários perigos enquanto recuperava dos impactos persistentes da seca em 2024”, de acordo com a investigação. Por outro lado, segundo a mesma fonte, “após anos de deslocações significativas por seca no Corno de África e na África Austral, registaram-se menos movimentos deste tipo em 2025”, em parte devido à elaboração de menos relatórios, frisa.
“Sismos e incêndios florestais, por outro lado, desencadearam alguns dos números mais elevados de deslocações registados para tais perigos na região”, acrescenta. O aumento das deslocações por incêndios florestais, que faz parte de uma tendência global, realça a diversificação do risco de desastres na região, bem como a melhoria da monitorização, considera.
Por seu turno, Moçambique registou também 339.000 deslocações em 2025 devido ao conflito existente na província de Cabo Delgado, no norte, acrescenta.
“Após uma redução significativa nas deslocações por conflito na província de Cabo Delgado entre junho de 2024 e junho de 2025, os combates (…) eclodiram novamente na segunda metade do ano”, contextualiza.
Por sua vez, um terço das deslocações registadas no país em 2025 devido ao conflito, o valor mais elevado desde 2020, ocorreu apenas no mês de novembro, salienta.
De forma geral, a região da África Subsaariana registou 17,3 milhões de deslocações ao longo de 2025, um número inferior ao de 2024 devido, em grande parte, “ao resultado de uma redução significativa nas deslocações por desastres”, conclui.