Segundo analistas ouvidos pelo HM, a visita poderá traduzir-se num maior estreitamento das relações empresariais, académicas e científicas. A economista Maria Fernanda Ilhéu defende que a deslocação deve servir para impulsionar a cooperação entre universidades e centros de investigação portugueses e Macau, promovendo o intercâmbio de alunos, docentes e investigadores, bem como projetos conjuntos nas áreas da inovação e tecnologia.
Em Lisboa, Sam Hou Fai tem encontros agendados com responsáveis políticos e representantes empresariais, estando igualmente prevista a assinatura de protocolos de cooperação. Na segunda-feira decorre o encontro “Iniciativas Macau – China – Portugal”, que inclui uma sessão de promoção da cooperação económica e comercial, organizada pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa.
Para Bernardo Mendia, secretário-geral daquela câmara, a visita tem um forte “significado institucional” e confirma Portugal como prioridade diplomática de Macau, sublinhando que todos os chefes do Executivo da RAEM escolheram Lisboa como primeiro destino oficial fora da Ásia. Ainda assim, alerta que a aproximação simultânea a Portugal e Espanha pode gerar “resultados diferentes, mas complementares”, exigindo pragmatismo e foco em setores de futuro como a economia azul, a transição energética e a alta tecnologia.
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Maria Fernanda Ilhéu espera ainda que a visita permita reabrir o debate sobre a facilitação dos vistos de residência para cidadãos portugueses em Macau, considerando que as atuais restrições administrativas não estão alinhadas com a ambição do território de atrair talento internacional qualificado.
A visita insere-se num contexto de reaproximação entre a China e o sul da Europa e é vista, pelo Hoje Macau, como uma oportunidade para atualizar e modernizar uma relação histórica, adaptando-a aos desafios económicos e estratégicos atuais.