Josina Machel, referência da emancipação feminina em Moçambique e heroína da luta de libertação nacional, recebe a 14 de abril o primeiro doutoramento honoris causa pela Universidade Save (UniSave), 55 anos após a sua morte.
“Neste ano, a Universidade Save propõe-se a atribuir o título de doutor honoris causa a Josina Machel e esta proposta, esta ousadia, representa um compromisso com a sociedade, mas também um compromisso com o seu papel”, disse Venâncio Chaúque, representante daquela universidade, em Gaza.
Chaúque Falava durante uma mesa redonda sobre O Legado da Josina Machel em Serviços Sociais, Género e Liderança, evento que juntou académicos, pesquisadores e familiares de uma das principais figuras femininas da luta de libertação nacional, cuja morte por doença, a 7 de abril de 1971, na Tanzânia, deu origem ao Dia da Mulher Moçambicana.
Além de referência da história de libertação e de emancipação da mulher moçambicana, Josina Abiathar Muthemba Machel (1945‑1971), que se alistou aos 18 anos na Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), movimento de libertação, em 1963, numa altura em que a Frelimo intensificava a luta armada contra o colonialismo português, é também um lembrete da história do país para a nova geração, segundo o responsável.
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Josina Machel, reconhecida pelo papel decisivo na mobilização e emancipação das mulheres na luta de libertação nacional de Moçambique, assumiu responsabilidades na área social da Frelimo onde tornou‑se símbolo da participação feminina na luta anticolonial.
“Entendemos que a Josina Machel prestou um serviço muito útil à sociedade e numa época que temos muita juventude, que provavelmente perdeu o foco e não tem referência, a universidade volta a chamar uma das figuras mais emblemáticas da história de educação de Moçambique para apelar ao cultivo de valores ligado ao patriotismo, ao civismo, ao bem comum, à igualdade de género, entre outros valores”, explicou Venâncio Chaúque.
Na ocasião, Juvelária Muthemba, familiar de Josina, disse que esse primeiro o título honoris causa reflete o grande trabalho e empenho que a heroína nacional teve durante a luta armada de libertação nacional.
“Penso que todos devem ter acompanhado, assim por alto, o nível de participação dela, primeiro no destacamento feminino, depois passamos as grandes responsabilidades que ela foi tendo no percurso da luta armada de libertação nacional, e, particularmente, o empenho dela em relação às crianças”, lembrou.
Juvelária destacou ainda o esforço da Josina Machel na criação de infantários em zonas libertadas durante a luta armada para albergar crianças que ficavam órfãs durante conflito e filhos de combatentes que iam para o campo de batalha.