A missão Artemis 2 da NASA entrou na fase final antes do primeiro sobrevoo tripulado da Lua em mais de 50 anos, num momento decisivo marcado pela influência gravitacional lunar sobre a nave. O evento assinala um marco histórico e deverá estabelecer novos recordes de distância percorrida por humanos no espaço.
Os astronautas entraram na chamada esfera de influência da Lua, iniciando a etapa em que a gravidade lunar supera a da Terra e conduz a cápsula Orion num trajeto em torno do satélite natural. Pouco antes do sobrevoo, a tripulação deverá ultrapassar o recorde de distância estabelecido pela missão Apollo 13, atingindo mais de 406 mil quilómetros da Terra.
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A bordo seguem Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, numa missão que marca vários “primeiros”: a primeira mulher, a primeira pessoa negra e o primeiro não norte-americano a viajar até à Lua.
O sobrevoo terá uma duração aproximada de sete horas e será transmitido em direto nas plataformas digitais da NASA. No entanto, a agência alerta para possíveis falhas na qualidade da transmissão devido à distância extrema da nave.
Durante cerca de 40 minutos, toda a comunicação com a Terra será interrompida quando a cápsula passar pelo lado oculto da Lua, uma fase historicamente sensível desde as missões Apollo.

A Terra vista através da janela da nave espacial Orion, fotografada pelo astronauta da NASA Reid Wiseman, em 2 de abril de 2026, após a conclusão da manobra de injeção translunar (Fotografia: AFP/NASA).
A Orion não entrará em órbita lunar, mas executará uma trajetória de contorno a cerca de 6.500 quilómetros da superfície, permitindo aos astronautas observar a Lua como um disco completo – descrito como tendo o tamanho de uma bola de basquetebol vista à distância do braço.
A missão permitirá observar regiões nunca antes vistas diretamente por humanos, incluindo áreas próximas dos polos e o lado oculto da Lua. Os astronautas foram treinados para descrever com precisão as formações geológicas, contribuindo para o estudo da composição lunar e da história do sistema solar.
Entre os fenómenos previstos está um eclipse solar, durante o qual a Lua ocultará o Sol por cerca de 50 minutos, revelando a coroa solar. A tripulação poderá também observar possíveis impactos de meteoritos na superfície lunar.
Outro momento simbólico será a possibilidade de recriar a histórica imagem “Earthrise”, com a Terra a surgir no horizonte lunar, à semelhança da fotografia captada durante a missão Apollo 8 em 1968.
Os astronautas já começaram a registar imagens de estruturas como a bacia de Orientale (conhecida também como o ‘Grand Canyon’ da Lua), uma formação geológica de grandes dimensões nunca antes observada diretamente por humanos.
A missão inclui ainda testes aos sistemas de suporte de vida e aos fatos de sobrevivência da cápsula Orion, essenciais para futuras missões tripuladas.
Os dados recolhidos serão fundamentais para preparar as próximas etapas do programa Artemis, incluindo uma missão de alunagem prevista para 2027