Num relatório publicado no dia 1, a imobiliária destacou que entre janeiro e março foram transacionadas 1.328 unidades residenciais na cidade, um aumento de 95% face ao mesmo período do ano passado.
A recuperação foi impulsionada por medidas introduzidas em 1 de janeiro pelas autoridades de Macau, que isentam de imposto de selo as primeiras 600 mil patacas (64.600 euros) na compra de um imóvel e aumentam para 80% o rácio máximo entre o valor do empréstimo e o valor do imóvel, segundo a companhia.
Os preços médios das transações no mercado residencial subiram ligeiramente, 1.5% em termos homólogos, para cerca de 75 mil patacas (8.070 euros) por metro quadrado de área útil, criando um “aumento simultâneo do volume de vendas e do preço”, afirmou o diretor sénior de vendas regionais da Centaline Macau, Steve Ng, citado no relatório.
A recuperação ganhou força após o Ano Novo Lunar no final de fevereiro, com o mês a registar 494 transações, o valor mensal mais elevado desde 2021.
Leia também: Magnata imobiliário contesta política de habitação do Governo de Macau
O segmento de luxo, no entanto, ficou aquém da recuperação geral, com as transações de imóveis avaliados acima de 15 milhões de patacas (1,61 milhões de euros) a cair para metade em termos homólogos, para apenas seis no trimestre.
O mercado de arrendamento residencial de Macau manteve a trajetória ascendente, com as rendas médias a subirem 2% no ano passado, para 139 patacas (15 euros) por metro quadrado, de acordo com as estatísticas oficiais. As unidades entre 100 e 150 metros quadrados registaram o maior aumento das rendas, de 5%.
A Centaline espera que o mercado residencial de Macau mantenha o seu dinamismo no segundo trimestre, com o volume de transações a manter-se previsivelmente acima das 1.000 unidades.
O diretor-geral da Centaline Macau e Zhuhai Hengqin, Stanley Poon, afirmou que a recuperação do mercado residencial reflete uma “correção saudável” após anos de descidas de preços. Mas alertou que os imóveis comerciais continuam sob pressão e apelou a mais apoio político para melhorar o ambiente de negócios.
Leia também: Imobiliário em Macau: Preço da habitação desvalorizou 14,1% em 2025
“Num ambiente geopolítico instável, os investidores são cada vez mais atraídos para jurisdições com estabilidade política e elevada segurança nacional”, afirmou Poon, também citado no texto.
Enquanto a atividade residencial aumentou, o setor comercial de Macau manteve-se em baixa, com a Centaline a prever terem sido registadas 79 transações de lojas no primeiro trimestre, uma queda de cerca de 30% face ao trimestre anterior.
Nos distritos turísticos, no entanto, continuaram a verificar-se transações de lojas de gama alta, com duas transações de lojas acima de 50 milhões de patacas (5,4 milhões de euros) concretizados durante o trimestre.
Do outro lado da fronteira em Hengqin, uma zona económica especial sob um regime especial de cooperação entre a cidade de Zhuhai e Macau, as transações imobiliárias abrandaram acentuadamente no primeiro trimestre, com as escrituras a caírem 58% em termos trimestrais, para 610 unidades, afirmou a Centaline.
No entanto, os preços mantiveram-se firmes, subindo 17% em termos trimestrais, para uma média de 22.770 yuan (2.450 euros) por metro quadrado.
Os compradores oriundos de fora da província de Guangdong representaram 41% das transações em Hengqin, seguidos pelos compradores locais de Zhuhai, com 24%, e pelos residentes de Macau, com 18%.
Os preços das habitações novas na China caíram pelo 33.º mês consecutivo em fevereiro, no contexto da prolongada crise imobiliária no país, embora tenham moderado o ritmo de descida face ao mês anterior. Em Macau, o setor imobiliário tem registado descidas nos valores por metro quadrado há oito anos consecutivos.