O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, no dia 31 de março, que o país deverá encerrar as suas operações no Irão “muito em breve”, apontando um prazo de “duas, talvez três semanas”, mesmo sem um acordo formal, e desvalorizou o bloqueio do Estreito de Ormuz, considerando que “não é problema” de Washington.
A declaração representa mais uma mudança de posição de Trump, conhecido por oscilações no discurso. A Casa Branca anunciou que o presidente fará um pronunciamento sobre o Irão hoje à noite.
Ao entrar no segundo mês, a guerra no Médio Oriente, que já causou milhares de mortos e continua a afetar a economia mundial, não dá sinais de abrandamento, apesar dos esforços diplomáticos.
O dia ficou também marcado por novos ataques de grande escala contra o Irão e por ameaças da Guarda Revolucionária iraniana, que alertou grandes tecnológicas norte-americanas, como Google, Meta e Apple, acusando-as de “espionagem” e advertindo para possíveis represálias caso dirigentes iranianos sejam mortos.
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Trump tem emitido sinais contraditórios: na segunda-feira prometeu “aniquilar” a estratégica ilha de Kharg e outros alvos iranianos caso não fosse alcançado um acordo, mas acabou por recuar.
“Tudo o que tenho de fazer é sair do Irão, e vamos fazê-lo muito em breve, e [os preços do petróleo] vão baixar”, afirmou, referindo novamente o prazo de “duas, talvez três semanas”.
Questionado sobre negociações para pôr fim à guerra, disse que são “irrelevantes”. Também deixou de exigir a reabertura do Estreito de Ormuz – por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial -, afirmando que “não temos nada a ver com isso”.
Do lado israelita, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu garantiu que continuará a ofensiva contra o Irão. “A campanha não terminou […] vamos continuar a esmagar o regime terrorista, reforçar as zonas de segurança e alcançar os nossos objetivos”, afirmou num discurso televisivo.
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Já o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, apresentou condições para um eventual fim do conflito, incluindo compensações financeiras, apuramento de responsabilidades e cessação total das hostilidades.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, revelou que continua a receber mensagens do enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, mas sublinhou que isso “não significa” que existam negociações em curso.
Por sua vez, o secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, afirmou que os próximos dias serão “decisivos”, garantindo que os contactos diplomáticos “estão ativos” e a ganhar força.
Entretanto, no terreno, a população civil continua a viver sob forte pressão. Em Teerão, moradores descrevem um quotidiano marcado pelo medo e pela incerteza. “Ultimamente tenho ficado em casa quase todo o tempo e só saio se for absolutamente necessário”, disse Shahrzad, de 39 anos. “Às vezes dou por mim a chorar. Tenho saudades dos dias normais”, confessou.
O Irão continua também a lançar ataques contra Israel e aliados dos EUA no Golfo, com o apoio do Hezbollah no Líbano e dos rebeldes huthis no Iémen. Em Jerusalém, foram ouvidas várias explosões após alertas de mísseis, enquanto incidentes também foram registados no Dubai e na Arábia Saudita.
No Líbano, ataques israelitas provocaram pelo menos sete mortos no sul de Beirute, bastião do Hezbollah. Israel afirmou ter visado um “comandante de alto nível” e um “terrorista” do grupo.
O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, indicou ainda que o país poderá ocupar parte do sul do Líbano após o fim da guerra, uma intenção já criticada pelo Governo libanês como uma nova “ocupação”.
Em Nova Iorque, o Conselho de Segurança da ONU reuniu de emergência após a morte de três capacetes azuis indonésios no Líbano, num incidente classificado como “muito grave”. Uma fonte das Nações Unidas indicou que um dos militares terá sido atingido por artilharia israelita.