António Ramos da Silva defendeu que o país deveria criar um consulado ou consulado honorário, “considerando a importância estratégica” das duas regiões no projeto da Grande Baía.
Este é um projeto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, uma região com cerca de 86 milhões de habitantes e com uma economia superior a um bilião de euros.
O delegado timorense junto do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) disse que o cargo deveria ter uma missão alargada.
Num relatório dirigido ao executivo de Timor-Leste e ontem enviado à Lusa, Ramos da Silva apontou para os “novos desenvolvimentos” da Grande Baía nas áreas comerciais, culturais e tecnológica.
Leia também: Grupo empresarial timorense lança construção de parque industrial
“A importância das plataformas financeira e logística (Hong Kong), tecnológica (Shenzhen), turística e cultural (Macau) deve merecer melhor atenção por parte de Timor-Leste”, defendeu o dirigente.
Ramos da Silva sublinhou ainda a ligação de Macau aos mercados lusófonos e de Hong Kong à Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), à qual Timor-Leste aderiu formalmente em outubro.
A ASEAN foi criada em 1967 pela Indonésia, Singapura, Tailândia, Malásia e Filipinas, que assume em 2026 a presidência, e integrada mais tarde pelo Brunei Darussalam, Camboja, Laos, Myanmar (antiga Birmânia) e Vietname.
Hong Kong é o segundo maior parceiro comercial da ASEAN, com as trocas de mercadorias em níveis recordes, “com isenção de tarifas”, destacou Ramos da Silva.
De acordo com dados oficiais, o comércio bilateral entre Hong Kong e as economias da ASEAN atingiu 213,9 mil milhões de dólares (186,1 mil milhões de euros) em 2025, um aumento de 29.4%.
Ramos da Silva disse ainda que Timor-Leste deveria “elevar a sua cooperação cultural” com a China, nomeadamente “marcando presença num ‘hub’ cultural de primeira linha”: Macau, Hong Kong e Shenzhen.
No final de 2025, Macau realizou uma consulta pública sobre a criação de uma Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados, enquanto Hong Kong tem estado a desenvolver o Distrito Cultural de West Kowloon.
A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os Países de Língua Portuguesa em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Macau.
O organismo integra, além da China, os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e, desde 2022, Guiné Equatorial.