Até agora, o modelo permitia sobretudo a transferência direta de pacientes de hospitais designados de Macau para hospitais públicos determinados em Hong Kong. Com o novo alargamento, as ambulâncias de Macau passam também a assegurar o regresso de doentes que se encontrem em Hong Kong e necessitem de tratamento em Macau, tornando o processo mais direto e conveniente para os utentes.
A nova etapa do serviço surge no âmbito do plano experimental “Transporte Transfronteiriço em Ambulância entre Hong Kong e Macau”, lançado a 30 de Novembro de 2024 e prolongado até 29 de Novembro de 2026. Segundo uma nota oficial, a decisão resultou de uma articulação entre os serviços competentes dos Governos da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) e da Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK).
Para preparar a implementação da medida, as autoridades das duas regiões realizaram, a 20 de março, um exercício conjunto de transferência transfronteiriça de doentes em ambulância.
O simulacro decorreu sem incidentes e incluiu a deslocação de uma ambulância do Corpo de Bombeiros de Macau desde o Centro Hospitalar Conde de São Januário até ao Hong Kong Children’s Hospital, passando pelo posto fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. O exercício integrou ainda cenários de receção hospitalar, transporte do paciente e procedimentos migratórios.
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As autoridades adiantaram que vão continuar a rever e otimizar os procedimentos operacionais, de modo a assegurar maior fluidez e eficácia no serviço. O exercício foi acompanhado em tempo real por entidades de saúde e proteção civil de ambas as regiões.
Atualmente, Macau participa também em mecanismos bilaterais de transporte transfronteiriço em ambulância com Zhuhai e com a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, lançados em 2025. O Corpo de Bombeiros dispõe, neste momento, de cinco ambulâncias com dupla matrícula Guangdong-Macau e três com matrícula de Hong Kong. Desde o início destes serviços, o Corpo de Bombeiros e os Serviços de Saúde realizaram 20 transferências transfronteiriças.
Segundo o Governo da RAEM, a ativação deste mecanismo depende sempre de acordo prévio entre o hospital emissor e o hospital recetor, devendo ser avaliadas as necessidades clínicas, a segurança e os interesses do paciente.
O atual sistema funciona em paralelo com o antigo modelo de “ambulância-ambulância”, em que os doentes precisam de trocar de viatura nas zonas controladas da fronteira, solução que continuará a ser usada nos casos em que não se reúnam as condições para uma transferência direta.
As autoridades defendem que o alargamento progressivo deste serviço acompanha o aumento da procura por cuidados médicos transfronteiriços na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e poderá reforçar a articulação entre os recursos médicos de alta qualidade da região, oferecendo aos residentes um acesso mais conveniente, eficiente e qualificado aos serviços de saúde.