Segundo Birol, decisores políticos e mercados financeiros estão a subestimar a dimensão da crise energética em curso, numa altura em que cerca de um quinto dos fluxos globais de energia se encontra comprometido na região. “Algumas instalações levarão seis meses para voltar a operar, outras muito mais”, afirmou, sublinhando que as consequências poderão prolongar-se no tempo e ter impacto estrutural na economia global.
O responsável da AIE destacou ainda que a disrupção não se limita ao petróleo e ao gás, afetando também o fornecimento mundial de fertilizantes, produtos petroquímicos essenciais à indústria do plástico, ao setor têxtil e à produção industrial. “Estamos a falar de matérias-primas vitais para o funcionamento da economia mundial”, frisou.
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As declarações surgem num contexto de forte tensão nos mercados energéticos, depois de ataques com mísseis contra infraestruturas estratégicas no campo de gás South Pars, no Irão, e no complexo energético de Ras Laffan, no Qatar, levando o preço do petróleo Brent a ultrapassar a fasquia dos 110 dólares por barril.