Durante uma declaração à imprensa, em Brasília, ao lado do Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, Lula da Silva, sem especificar, atirou: “Nós pensamos em defesa como dissuasão, mas eu não sei se o companheiro Ramaphosa percebe que, se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente”.
O chefe de Estado brasileiro, ressalvou, contudo, que o continente sul-americano é “uma região de paz”. “Aqui ninguém tem bomba nuclear, aqui ninguém tem bomba atómica, aqui os nossos drones são para agricultura, para fins de tecnologia e não para guerra”, disse.
Por outro lado, o Presidente sul-africano reforçou ser necessário, “num momento de crescimento de conflitos”, trabalhar por uma resolução pacífica dos conflitos, que são uma “violação da Carta das Nações Unidas” .
O Presidente brasileiro recebeu ontem o seu homólogo da África do Sul, no início de uma visita oficial ao Brasil, tendo ambos discutido a ampliação do comércio entre os dois membros do fórum BRICS.
Ramaphosa foi recebido com honras de Estado no Palácio do Planalto e, na sequência de uma reunião à porta fechada, assinaram memorandos para reforçar o comércio e o turismo entre os dois países.
Os dois líderes vão ainda participar num almoço, na sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, e num fórum empresarial. Ramaphosa também fará visitas ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal do Brasil.
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O comércio entre os dois países, principal motivo da visita, totalizou cerca de 2,3 mil milhões de dólares (1,9 mil milhões de euros) no ano passado, com superavit para o Brasil, que exporta principalmente carnes, açúcar e veículos, enquanto importa prata, platina e outros minerais.
“O intercâmbio anual entre Brasil e África do Sul está estagnado há quase 20 anos”, disse Lula da Silva, sublinhando não existir “nenhuma explicação política” para um comércio tão reduzido entre dois membros fundadores do grupo de economia emergentes BRICS (fundado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Na mesma tónica, Ramaphosa frisou que “o comércio entre os dois países precisa ser muito maior do que ele é hoje”.