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Mais de 200 clientes continuam sem eletricidade em Leiria quase um mês após depressão Kristin

Autarca fala em informação contraditória da EDP e aponta 218 contadores ainda não energizados

Mais de 200 clientes continuam sem eletricidade no concelho de Leiria, praticamente um mês depois de a depressão Kristin ter provocado danos significativos no município. A informação foi avançada esta quarta-feira pelo presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, em declarações à agência Lusa.

“A informação que temos é contraditória, porque dentro do universo da EDP há quem diga que já está tudo reposto, informação que, vinda também do mesmo grupo, nos fala em 218 contadores não energizados”, afirmou o autarca.

As declarações surgem no mesmo dia em que o presidente executivo da EDP anunciou que a empresa já restabeleceu a energia a 100% dos clientes afetados pelas recentes tempestades. “Já recuperámos 100% dos clientes, restando apenas algumas situações específicas que serão resolvidas muito em breve, mas penso que o pior já passou”, disse Miguel Stilwell d’Andrade, durante a conferência telefónica de apresentação dos resultados de 2025.

Questionado sobre contactos recentes com a E-Redes, principal operadora da rede de distribuição de eletricidade em Portugal continental, Gonçalo Lopes afirmou que não fala com o presidente da empresa “há mais de uma semana”.

O presidente da Câmara explicou que solicitou uma reunião a José Ferrari Careto depois de perceber que Leiria “ia ser dos últimos concelhos” a ver a eletricidade reposta. Nessa reunião, apresentou um plano tático para acelerar o processo, incluindo uma gestão mais eficiente dos geradores, a sua mobilidade e a criação de um plano específico para o norte do concelho, a zona mais afetada.

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“Propus também uma melhor linha de comunicação para os casos das chamadas ‘linhas injustas’”, referiu, explicando que se tratam de situações em que o posto de transformação está energizado, mas algumas casas no final da rua continuam sem eletricidade.

Segundo o autarca, o presidente da E-Redes acabou por abandonar a reunião, que prosseguiu com outros dirigentes da empresa.

Confrontado com a possibilidade de avançar com uma ação judicial devido aos prejuízos causados pela demora no restabelecimento do serviço, Gonçalo Lopes sublinhou que a atividade da E-Redes é regulada e que cabe à entidade reguladora fiscalizar a atuação da concessionária.

A autarquia solicitou à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) que “acione todos os meios” para apurar o que aconteceu e defender os interesses dos clientes, sobretudo das populações afetadas. “Se a ERSE fizer o seu serviço, não é necessário litigar”, afirmou.

Relativamente às telecomunicações, o presidente do município alertou que todo o território continua com redução da capacidade de comunicação, havendo ainda linhas fixas inoperacionais. De acordo com informação recebida de um dos operadores, cerca de seis mil pessoas permaneciam, na quarta-feira, sem acesso à rede móvel no concelho de Leiria.

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