Perante a presença do governante no local, a autarca criticou duramente o facto de não ter havido contacto prévio com os responsáveis autárquicos, considerando que tal representa uma quebra do dever institucional. “Há um dever institucional. Tem de falar com os autarcas. Se vem fazer uma conferência de imprensa, nós vamos embora”, afirmou, em frente aos jornalistas.
Ana Abrunhosa questionou ainda as intenções da deslocação do ministro. “Vem falar com os autarcas ou com a imprensa?”, perguntou, sublinhando que os eleitos locais não podem ser ignorados em contextos de crise. Recordando a sua experiência governativa, reforçou: “Fui ministra e nunca fui a um território em calamidade sem falar com um autarca”.
Quando José Manuel Fernandes afirmou que “a calamidade já acabou”, a presidente da Câmara reagiu de imediato, apontando para o cenário envolvente: “Olhe à sua volta…”.
A troca de palavras intensificou-se, com a autarca a deixar um aviso claro. “Em Coimbra, não volta a fazer isto. Eu peço-lhe, por favor”, disse, após o ministro defender que “o território é de todos nós”. “Aqui está em Coimbra. Eu represento os conimbricenses”, respondeu Ana Abrunhosa.
Na sequência do confronto, o ministro acabou por cancelar as declarações que iria prestar aos jornalistas. Ainda assim, a presidente da Câmara manteve as críticas, afirmando que o governante “até hoje não veio ao terreno” nem ouviu os autarcas locais. “Vem ouvir-nos ou fazer uma conferência de imprensa?”, questionou, segundo imagens divulgadas pela CMTV.
O ministro justificou-se, assegurando que já esteve no terreno em ocasiões anteriores e que, naquele momento, se encontrava apenas a responder a perguntas da comunicação social. No final, José Manuel Fernandes acabou por pedir desculpa à autarca. “Eu percebo a senhora presidente, ela tem razão”, declarou.
O episódio evidencia o clima de sensibilidade política que envolve a resposta às cheias do Mondego, numa altura em que persistem preocupações locais quanto à gestão da crise e à articulação entre o Governo e o poder autárquico.