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Presidente deposto da Coreia do Sul condenado a prisão perpétua

A sentença foi aplicada após o tribunal considerar provado que o ex-chefe de Estado tentou impor a lei marcial e mobilizar forças armadas para controlar o parlamento. A decisão surge na sequência de um processo judicial relacionado com a crise política desencadeada em 2024

Lusa

A justiça da Coreia do Sul condenou hoje Yoon Suk-yeol à pena de prisão perpétua, após declarar o presidente deposto do país culpado de liderar uma insurreição e impor ilegalmente a lei marcial. “Em relação ao arguido Yoon Suk-yeol, o crime de liderar uma insurreição está provado”, declarou o juiz Ji Gwi-yeon, do Tribunal Distrital Central de Seul, ao ler o veredicto.

O juiz considerou antigo presidente conservador culpado de mobilizar forças militares e policiais em dezembro de 2024, numa tentativa ilegal de tomar o parlamento, liderada por liberais, prender políticos e estabelecer um poder irrestrito. “Condenamos Yoon a prisão perpétua” por liderar uma insurreição, disse Ji Gwi-yeon.

O ex-líder conservador escapou, assim, à pena de morte, que tinha sido pedida pelo procurador especial que liderou a acusação e que alegou que Yoon merecia a punição mais severa prevista na lei, pela ameaça que as suas ações representaram para a democracia do país.

Ainda assim, analistas disseram à imprensa sul-coreana que Yoon irá provavelmente recorrer da sentença. O mesmo tribunal, que também considerou o ex-ministro da Defesa Kim Yong-hyun culpado, deverá anunciar em breve as sentenças contra os co-réus de Yoon Suk-yeol.

Em 16 de janeiro, Yoon já tinha sido condenado a cinco anos de prisão pelo mesmo tribunal, devido à imposição da lei marcial em dezembro de 2024, na primeira sentença em oito julgamentos criminais. Na altura, o tribunal considerou o antigo chefe de Estado culpado também de outras acusações, como desobediência às tentativas das autoridades para o deter e falsificação de documentos oficiais.

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O tribunal concluiu que Yoon excluiu ministros de uma reunião para discutir os preparativos para a imposição da lei marcial, além de mais tarde ter obstruído as tentativas da polícia para o deter. Entrincheirou-se durante semanas na residência oficial em Seul sob a proteção de guarda-costas, conseguindo mesmo frustrar uma primeira operação policial.

O líder foi finalmente detido em janeiro de 2025 durante uma violenta operação, que durou várias horas. Tornou-se o primeiro Presidente sul-coreano em exercício a ser detido.

Em 3 de dezembro de 2024, Yoon anunciou na televisão a imposição da lei marcial, enviando tropas para o parlamento. O conservador reverteu a decisão horas mais tarde, depois de um número suficiente de deputados ter conseguido entrar no edifício parlamentar e aprovar a suspensão do decreto.

Yoon acabou por ser destituído do cargo pelo Tribunal Constitucional em abril passado, o que desencadeou eleições presidenciais, que deram vitória a Lee Jae-myung, candidato da oposição de esquerda. O ex-Presidente justificou a lei marcial, uma medida sem precedentes na Coreia do Sul desde as ditaduras militares dos anos 80, alegando que o parlamento, controlado pela oposição, estava a bloquear o orçamento de Estado.

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