A detenção foi efetuada pela Thames Valley Police na manhã em que Andrew completou 66 anos, em sua residência no Sandringham Estate, em Norfolk, no leste de Inglaterra, segundo relatos e imagens que mostraram viaturas policiais descaracterizadas e agentes à porta da propriedade.
A investigação foi desencadeada na sequência do recente acesso público a milhões de páginas de documentos relacionados ao caso do falecido financista condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein. Os arquivos, libertados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, incluíam alegações de que Andrew, enquanto enviado comercial do Reino Unido em 2010, pode ter partilhado relatórios oficiais e informações potencialmente confidenciais com Epstein — acusações que a polícia agora está a “avaliar como parte de um processo formal de investigação”.
A detenção foi anunciada oficialmente como a prisão de “um homem na casa dos 60 anos” sob suspeita de “misconduct in public office” (má conduta no exercício de funções públicas), um crime previsto no direito comum britânico que não está definido por estatuto específico, mas que pode implicar penas severas se for comprovado.
A polícia confirmou ainda que estão a decorrer buscas em várias propriedades associadas ao antigo príncipe em Berkshire e Norfolk, enquanto Andrew permanece sob custódia policial.
O ex‑príncipe serviu como enviado do Reino Unido para o comércio internacional entre 2001 e 2011, período em que, segundo os documentos analisados, terá enviado por email detalhes de missões oficiais, incluindo itinerários em países como Singapura, Vietname e China, para o condenado Epstein pouco depois de as ter recebido dos seus assessores.

Detenção ocorreu na manhã desta quinta-feira com recurso a carros descaracterizados (Foto: Henry Nicholls / AFP)
Andrew negou repetidamente ter cometido qualquer irregularidade no passado em relação a Epstein e às acusações que pesam sobre a sua relação com o empresário, e expressou arrependimento público pela amizade que mantiveram. No entanto, o seu envolvimento no escândalo acabou por resultar em 2025 no despojamento de títulos reais e honrarias pelo rei Charles, numa tentativa de proteger a reputação institucional da monarquia.
Este é o primeiro caso de um membro sênior da família real britânica ser detido na era contemporânea, um desenvolvimento que já gerou ampla cobertura internacional e reacções políticas no Reino Unido e além‑fronteiras. As autoridades reafirmaram o compromisso em conduzir a investigação de forma independente e transparente, face ao “significativo interesse público” no processo.
O caso continua a desenvolver‑se, com mais atualizações esperadas à medida que a investigação prossegue e a polícia reúne provas adicionais.

