A reportagem da BBC World Service relata o caso de “Eric” (nome fictício), que em 2023 descobriu que um vídeo pornográfico que estava a ver nas redes sociais mostrava, afinal, imagens suas e da namorada, gravadas durante uma estadia num hotel em Shenzhen. As imagens tinham sido captadas por uma câmara escondida no quarto e disponibilizadas a milhares de utilizadores.
Segundo a investigação, a chamada “spy-cam porn” existe na China há pelo menos uma década e ganhou nova visibilidade nos últimos anos, levando muitos hóspedes, sobretudo mulheres, a adotarem medidas extremas para evitar serem filmados. Apesar de novas regras impostas pelo Governo em 2024 obrigarem os hotéis a inspecionar regularmente os quartos, a BBC encontrou milhares de vídeos recentes gravados clandestinamente em unidades hoteleiras.
Grande parte do material é promovida através da aplicação Telegram, proibida na China mas amplamente usada para atividades ilegais. Ao longo de 18 meses, a BBC identificou vários sites e aplicações que alegadamente operavam mais de 180 câmaras ocultas em hotéis, algumas das quais transmitiam imagens em direto. A estação britânica estima que milhares de hóspedes possam ter sido filmados sem o saber.
A investigação conseguiu ainda localizar uma das câmaras num hotel em Zhengzhou, no centro da China, escondida numa conduta de ventilação e ligada diretamente à rede elétrica do edifício. A BBC apurou que o esquema envolve intermediários e operadores que lucram com subscrições pagas, gerando receitas muito acima do rendimento médio anual no país.