Em Alcácer do Sal, um dos concelhos mais castigados pelas depressões Kristin e Leonardo, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que a avaliação deve ser feita caso a caso, admitindo que, perante situações extremas, os autarcas possam optar por soluções legais que garantam a segurança das populações.
O chefe de Estado adiantou ainda que está a ponderar dirigir-se ao país no sábado com uma mensagem de apelo ao voto, assunto que deverá igualmente ser abordado na reunião com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, prevista para o final do dia.
Sobre a situação no terreno, Marcelo classificou as cheias em Alcácer do Sal como as mais graves registadas no país, afirmando que, até ao momento, não se vislumbram sinais claros de melhoria. Do ponto mais alto da cidade, junto à Pousada do Castelo, o Presidente observou a extensão das inundações no rio Sado, descrevendo o cenário como particularmente marcante.
O Presidente destacou ainda que o prolongar da situação constitui um duro teste à capacidade de resistência das populações, sobretudo das pessoas retiradas das suas habitações, dos pequenos comerciantes afetados e das comunidades que permanecem isoladas.
A presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, referiu que a autarquia tem assegurado apoio social às localidades isoladas e revelou que 143 pessoas já tiveram de abandonar as suas casas desde o início das cheias. Admitiu ainda a dureza emocional da situação, sublinhando as perdas sofridas por muitas famílias.
Segundo a autarca, os níveis de água continuam elevados e praticamente inalterados ao longo do dia e da noite, situação agravada pelas descargas das barragens. Marcelo Rebelo de Sousa disse ter recebido informação do Governo apontando para uma possível estabilização meteorológica, embora com vento, salientando que a evolução nas próximas horas será determinante.