O Departamento de Justiça (DOJ) removeu “vários milhares de documentos e suportes multimédia” do seu site, que “podiam ter incluído inadvertidamente informações que identificam vítimas, devido a erros técnicos ou humanos”, segundo uma carta enviada esta semana a juízes federais.
O lançamento original, ocorrido na passada sexta-feira, incluía mais de três milhões de páginas, 2.000 vídeos e 180.000 imagens. Algumas das fotografias expostas foram imediatamente retiradas após alerta do jornal New York Times.
Advogados das vítimas pediram aos juízes, no domingo à noite, a remoção urgente do site do DOJ, afirmando que quase 100 sobreviventes tiveram a sua vida “profundamente afetada pelo último conjunto de documentos divulgados pelo departamento”. Sobreviventes como Maria Farmer criticaram fortemente a falha, descrevendo a incapacidade do governo em proteger as vítimas como «hedionda».
Em resposta, um porta-voz do DOJ comprometeu-se a eliminar todas as informações pessoais identificáveis e imagens sensíveis antes de restaurar os ficheiros ao domínio público. O procurador-geral adjunto dos EUA, Todd Blanche, afirmou que o departamento produziu aproximadamente 3,5 milhões de páginas em cumprimento do Epstein Files Transparency Act, aprovado pelo Congresso a 18 de novembro de 2025, com prazo de divulgação até 19 de dezembro.
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Além da violação de privacidade, os documentos desclassificados tiveram repercussões políticas internacionais. O Ministério das Relações Exteriores da Índia rejeitou alegações de que o primeiro-ministro Narendra Modi teria «cantado e dançado» para Donald Trump como «especulação vil».
No Reino Unido, o ex-embaixador Peter Mandelson renunciou ao Partido Trabalhista e pediu desculpas às vítimas depois de revelações sobre pagamentos de US$ 75.000 recebidos de Epstein. Na Eslováquia, o conselheiro de segurança nacional Miroslav Lajčák renunciou após alegações de correspondência inadequada com Epstein, embora tenha afirmado que as mensagens eram piadas.
O primeiro lote de documentos incluía referências ao antigo presidente Bill Clinton, gerando críticas de divulgação seletiva. A 23 de dezembro de 2025, o DOJ publicou quase 30.000 páginas adicionais envolvendo Donald Trump, algumas das quais foram posteriormente classificadas como “inverídicas”. A divulgação também gerou reações no setor empresarial, com Elon Musk sugerindo nas redes sociais que o silêncio de figuras como Bill Gates e Bill Clinton poderia implicar culpa.