O telemóvel toca insistentemente e Marcos Talu atende. É alguém a fazer uma encomenda de polvo. O pescador está na Praça da Independência, na cidade de São Tomé, e segura na mão seis polvos espetados num pau. É parte da pescaria do dia. Quando percebe que está perante uma portuguesa, começa rapidamente a conversar sobre as eleições presidenciais. Viu tudo com interesse e sabe o nome dos candidatos e o que representam na sociedade portuguesa.
“Tenho parabólica e vejo a RTP Notícias, a RTP África e a RTP Internacional”, conta.
Marcos Talu assistiu à noite eleitoral na televisão e, já esta segunda-feira, pôs-se a par das últimas novidades. “Nós temos ligação, porque Portugal é um país que nos colonizou, por essa razão acompanhamos as notícias”, explica.
O interesse pelas eleições presidenciais portuguesas é, de resto, muito grande em São Tomé e Príncipe e tema de conversa de alguns grupos de rua, nos cafés e nos próprios hotéis. Marcos admite que o candidato em que apostava não passou à segunda volta das eleições, mas perante António José Seguro e André Ventura, se votasse em Portugal, sabia bem qual a sua opção.
O pescador – que tem família e amigos em Portugal – receia que chegue ao poder um Presidente da República que torne pior a vida dos imigrantes, nomeadamente dos santomenses. “Se ele for Presidente, não sei qual será a vida dos imigrantes em Portugal”, lamenta.
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