A publicação britânica apontou na segunda-feira que o número de candidaturas a empregos no exterior por académicos dos Estados Unidos aumentou 21% no ano passado, em termos homólogos, de acordo com uma análise do portal Unijobs da Times Higher Education.
“É evidente que a ‘guerra cultural’ do Presidente Trump e seus apoiantes está a criar uma atmosfera tóxica e anti-intelectual em muitos polos universitários dos Estados Unidos, especialmente em estados republicanos”, referiu Nigel Healey, investigador e consultor em ensino superior internacional, citado pela Times Higher Education.
Healey apontou para o fim dos programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI, na sigla inglesa) e o assédio público a professores liberais como fatores que minam o moral e a confiança dos académicos, mas afirmou que o corte no financiamento federal para investigação é o que provavelmente está a afastar dos Estados Unidos os professores com mais talento.
Os dados do relatório mostram que a maior parte do crescimento de candidatos norte-americanos parece estar concentrada nos mercados de língua inglesa e chinesa. O Reino Unido foi, no ano passado, o maior beneficiário em termos de volume, com um crescimento de 24%.
Mas as candidaturas de académicos dos Estados Unidos a vagas em Hong Kong aumentaram 55%, 18% em relação à Austrália e 78% relativamente à Irlanda. No que diz respeito à China continental, o crescimento fixou-se em 16%.
Com o cenário para o ensino superior norte-americano sem perspetivas “mais otimistas” para 2026, Rachel Brooks, professora de ensino superior da Universidade de Oxford, afirmou que os dados sugerem um claro efeito Trump nas tendências globais, ainda de acordo com a revista Times Higher Education.