O Intendente Sérgio Soares, porta-voz oficial da direção nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP), reconhece que “alguma coisa falhou” no caso que envolve alegados crimes cometidos por agentes da PSP, mas rejeita qualquer diminuição dos critérios de recrutamento. Em entrevista, detalha os mecanismos de seleção, a formação em direitos humanos, o papel da Divisão de Psicologia e as limitações estruturais ao nível do comando das esquadras, sublinhando que a instituição reforçou a supervisão no terreno e estará “ainda mais atenta” no próximo curso de formação de agentes. “As campainhas soaram mais alto”, garante.
Como é que estes agentes acusados passaram no filtro do recrutamento?
Antes de mais, lamentamos este e quaisquer outros comportamentos que coloquem em causa direitos humanos, direitos, liberdades e garantias, quaisquer direitos fundamentais. Lamentamos e que tudo faremos para que uma situação destas seja uma exceção absoluta e que não volte a acontecer. Doravante, o nosso empenho será ainda maior, ainda por cima tratando-se de situações ocorridas no seio da própria instituição.
Aquilo que resulta da acusação do Ministério Público e da investigação feita pela própria PSP, dos indícios de que temos conhecimento, é de facto lamentável.
Foi a própria PSP que deu conhecimento dos factos ao Ministério Público, que denunciou e iniciou logo a investigação. Importa também sublinhar que o Ministério Público demonstrou confiança na própria Polícia de Segurança Pública para prosseguir com as diligências de investigação. Essas diligências foram feitas pela Divisão de Investigação Criminal de Lisboa, do Comando Metropolitano de Lisboa, e foi a própria PSP que procedeu às detenções.
Quanto à pergunta de por que é que isto acontece, não sei responder de forma concreta. Queríamos que não acontecesse. Mas, como em qualquer processo de recrutamento, há sempre falhas. E se vier a confirmar-se, em sede de julgamento, que esta situação aconteceu, se houver de facto essa confirmação, isso sim apontará para uma falha no recrutamento — uma falha que não queremos que volte a acontecer.
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