A “tracking poll” tem sido muito contestada, nos últimos dias, já não apenas pelas candidaturas cujos resultados não são os esperados, mas também pela bolha mediática das redes sociais. O principal argumento é o de que uma alteração diária, mesmo que de um ponto percentual, não tem significado estatístico. Seria um argumento razoável, se não fossem disponibilizados, todos os dias, todos os resultados. Ou seja, a qualquer leitor (e ainda mais a analistas alegadamente atentos aos fenómenos sobre os quais produzem opiniões tão assertivas), são disponibilizados os dados que permitem medir as tendências, a informação mais importante de uma sondagem diária de intenção de voto.
Diferença entre os cinco primeiros passou de 3,9 para 10,7 pontos
E que tendências são visíveis, até agora, nesta sondagem diária? Desde logo, que a competitividade destas eleições se vai reduzindo. Entre o primeiro dia (5 de janeiro) e o dia mais recente (13 de janeiro), a diferença entre os três primeiros passou de 0,3 décimas para 3,4 pontos percentuais; a dos quatro primeiros era de 1,3 pontos percentuais e passou para 8,7 pontos; e a dos cinco primeiros, que começou em 3,9 pontos já vai nos 10,7 pontos.
A primeira vítima desta evolução dos acontecimentos foi Marques Mendes, que esteve vários dias em empate técnico (se considerarmos quem tinha hipóteses de passar à segunda volta) e está nesta altura fora dessa luta, mesmo tendo em conta que a margem de erro é de mais ou menos 4%: o patamar máximo a que pode aspirar é aos 15,9%, o que é inferior ao patamar mínimo, quer de Cotrim (17,5%), quer de Ventura (17,2%). O ex-líder social-democrata perde um pouco mais de dois pontos desde o arranque da sondagem diária, mas se tivermos apenas em conta os quatro dias seguidos de declínio, já são quase quatro pontos.
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