A saída de Rúben Amorim, que não conseguiu corresponder às elevadas expectativas criadas à sua chegada, reforçou a sensação de instabilidade crónica no banco do Manchester United. Mais uma vez, o clube viu interrompido um projeto que prometia devolver identidade e competitividade, mas que acabou por sucumbir à exigência da Premier League, sendo Rúben Amorim o 16º treinador nos últimos dez anos em Old Trafford.
Mas é o historial recente que condiciona a abordagem da família Glazer, dona dos red devils, à sucessão. Os proprietários norte-americanos mostram-se cada vez mais cautelosos na escolha de treinadores, sobretudo depois das experiências com técnicos portugueses. José Mourinho, apesar de ter conquistado títulos e de ter devolvido algum pragmatismo competitivo, saiu em rutura com a estrutura, deixando uma herança de divisão interna. Anos depois, Rúben Amorim, contratado há 14 meses, não conseguiu vingar.
Este duplo insucesso criou reservas claras em relação a uma nova aposta lusa. Nos corredores de Old Trafford, existe a perceção de que o perfil do treinador, mais do que a nacionalidade, é determinante, mas o peso simbólico dos fracassos anteriores influencia inevitavelmente a decisão final. A família Glazer teme que uma terceira escolha portuguesa seja encarada como falta de aprendizagem estratégica, sobretudo num clube que tem sido frequentemente criticado pela ausência de resultados na última década.