Após exaltar características de virilidade ao longo de seu governo, do “histórico de atleta” citado na pandemia da Covid-19 à medalha de “imbrochável” e “imorrível” entregue a aliados, Jair Bolsonaro (PL) expôs fragilidade ao destacar problemas de saúde que colocariam sua vida em risco na prisão e atribuir a um surto a tentativa de romper sua tornozeleira eletrônica.
Para o psicanalista Christian Dunker, 59, trata-se de outra face de uma mesma moeda na retórica sobre força, vencedores e potência. “Pode parecer que houve uma alteração substancial, mas é o mesmo endereçamento discursivo. Se as coisas não dão certo, há uma alteração de polos, e o discurso de enaltecimento da virilidade tem o seu lado invertido.”
Em entrevista à Folha —concedida antes de Bolsonaro escolher um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para concorrer às eleições de 2026 e de a defesa do ex-presidente pedir autorização urgente para cirurgia em razão de um quadro de hérnia inguinal— Dunker diz considerar que, “como herói político”, Bolsonaro morreu, embora não se possa dizer o mesmo do bolsonarismo.
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