O fogo deflagrou na tarde de quarta-feira, quando o complexo estava a ser alvo de renovação. As fachadas dos edifícios encontravam-se envoltas em andaimes de bambu e malhas plásticas, materiais fortemente inflamáveis que propagaram rapidamente as chamas. Em pouco tempo, sete das oito torres residenciais foram tomadas pelo incêndio.
As operações de resgate mobilizaram mais de 1.300 agentes de emergência, cerca de 2.300 no total, segundo algumas fontes, que lutaram durante mais de 24 horas para controlar o fogo e entrar nos edifícios. Apesar de os focos principais estarem já extintos, o trabalho de busca e salvamento foi longo e difícil, devido ao calor extremo, fumo intenso e instabilidade das estruturas.
Entre os mortos confirmados está um dos bombeiros que participou diretamente nas operações de salvamento. Várias dezenas de feridos, incluindo outros elementos dos serviços de emergência, deram entrada em hospitais com queimaduras e inalação de fumo.
As autoridades já detiveram três responsáveis da empresa de construção encarregue da renovação, dois diretores e um consultor de engenharia, sob suspeita de homicídio por negligência grave. Investigação preliminar aponta falhas graves no uso de materiais inflamáveis e na ausência de medidas adequadas de segurança, como sistemas de deteção de fumo e rotas de evacuação seguras.
Milhares de moradores foram desalojados. Cerca de 900 a 1.000 residentes, de um total aproximado de 4 800, foram evacuados e alojados em abrigos temporários, muitos deles sem saber do paradeiro de familiares e amigos.
A tragédia provocou repúdio público e reacendeu críticas às práticas de construção e renovação habitacional em Hong Kong. Especialistas e autoridades apontam que o uso de andaimes de bambu e materiais não resistentes ao fogo, aliados à densidade populacional e à falta de medidas de segurança adequadas, compõem um risco estrutural grave em muitos conjuntos residenciais. A comunidade exige agora uma revisão urgente das normas de construção e segurança.
Para as famílias envolvidas, cada hora é marcada por angústia. Nos centros comunitários destinados à identificação das vítimas, dezenas de pessoas aguardam notícias de entes queridos. Muitos receberam apenas a confirmação de que o edifício foi destruído — e com ele grande parte dos seus documentos e vidas.