O inquérito evidencia também um nível particularmente elevado de indecisos, que representam 22 por cento dos entrevistados. Este valor supera individualmente todos os candidatos testados e reforça a incerteza que continua a marcar a pré-campanha. Segundo os autores do estudo, esta franja do eleitorado pode alterar significativamente o desfecho da primeira volta, sobretudo numa corrida tão fragmentada como a atual.
Entre os restantes candidatos avaliados, António José Seguro recolhe 10 por cento das intenções de voto, enquanto João Cotrim de Figueiredo se fica pelos 3 por cento. Os resultados confirmam que a disputa pela presença na segunda volta continua em aberto, com vários cenários possíveis dependendo da capacidade de mobilização de cada candidatura.
A sondagem do ISCTE sugere ainda que a campanha das próximas semanas será determinante. Com o eleitorado dividido e a ausência de um favorito claro, qualquer acontecimento político relevante, debate televisivo ou momento de exposição mediática poderá influenciar de forma decisiva a trajetória dos candidatos. A fragmentação à direita, com Ventura, Gouveia e Melo, Marques Mendes e Cotrim de Figueiredo a disputar eleitorados parcialmente sobrepostos, continua a ser um dos fatores mais relevantes na leitura do panorama atual.
Com as presidenciais agendadas para janeiro, os indicadores reforçam a ideia de que o escrutínio poderá revelar-se um dos mais imprevisíveis das últimas décadas. Até lá, a evolução da intenção de voto entre os indecisos será o principal elemento a acompanhar para perceber se o atual equilíbrio se manterá ou se algum dos candidatos conseguirá destacar-se na reta final.