Há seis meses, Carlos Forbs recebeu uma mensagem no telemóvel que o deixou em choque: o Ajax, que dois anos antes investira 14 milhões de euros no seu prospeto de futebol excitante, dispensava-o por WhatsApp. Hoje, nem meio ano depois, o extremo nascido em Rio de Mouro (Sintra) é o nome mais falado da convocatória de Roberto Martínez para os próximos jogos da seleção nacional no apuramento para o Mundial, contra República da Irlanda e Arménia. Do adeus frio em Amesterdão à semana mais “quente” da carreira, que incluiu dois golos contra o Barcelona em plena Liga dos Campeões, esta é a ascensão meteórica de um jovem avançado que se tem habituado a fintar as adversidades com a mesma velocidade com que dribla os defesas em campo.
Carlos Forbs Borges – prefere Forbs, “por causa da mamã”, confessou a A Bola – chegou ao mundo a 19 de março de 2004, em Sintra, filho de pais guineenses. O talento apareceu cedo: era o mais rápido e o mais destemido no futsal no Núcleo de Atividades Desportivas do Concelho de Sintra, onde se inscreveu com um grupo de amigos. O Sporting não demorou a reparar nele. Um olheiro foi ver outro miúdo, mas acabou a apontar-lhe o dedo: “Quero aquele.”
O sonho passou a vestir de verde e branco, mas por pouco tempo. Quando tinha 9 anos, a família fez as malas rumo a Inglaterra, à procura de uma vida melhor. Carlos não queria ir — “tinha os meus amigos, o meu país, não queria nada sair”, recordou mais tarde, no podcast The Locker Room —, mas acabou por trocar os treinos na Academia de Alcochete por uma vida em Leeds, onde a mãe arranjou trabalho.
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