Se houve algo que uniu todos os vencedores do IFC 2024, foi a sensação de comunidade. Numa indústria tantas vezes marcada pela solidão criativa, Macau ofereceu-lhes dias de partilha, colaboração e aprendizagem, com mentores e colegas. A amizade entre jovens realizadores de diferentes geografias tornou-se a herança comum do campo. Mas, para além desse laço humano, trouxeram consigo as lições dos seus mentores, marcando os filmes e os caminhos que agora percorrem.
A realizadora mongol Lkhagvadulam Purev-Ochir levou a sua curta A South Facing Window ao 78.º Festival de Locarno, de onde saiu com dois prémios — o Pardo Verde – Menção Especial e o Prémio do Júri Jovem — antes de seguir para o Toronto International Film Festival (TIFF 50). Recorda com carinho o apoio da sua mentora em Macau, Mabel Cheung. “Confessei-lhe as minhas ansiedades e a vontade de sentir mais alegria. Disse-me para relaxar, que a alegria viria com o tempo e que, naquele momento, devia apenas trabalhar arduamente. Foi como falar com uma irmã mais velha que já tinha percorrido o meu caminho.” Depois de uma longa-metragem desgastante, o IFC devolveu-lhe energia: “O campo e a realização deste filme acalmaram-me e deram-me confiança. Estou grata pela oportunidade de filmar, mas também por conhecer jovens cineastas que me fizeram sentir ‘jovem’ novamente.”
Patrocinado pelo IFC 2024 e realizadopela cineasta de Macau Galilee Ma, Pop It foi recentemente selecionado para a secção oficial Global Short do Jakarta Film Week. Galilee afirmou que participar no campo permitiu-lhe ter discussões aprofundadas e trocar ideias sobre realização cinematográfica com cineastas de diferentes partes da Ásia. Essa experiência deu-lhe a oportunidade de repensar o conceito de “fazer um filme”, e expressou a sua gratidão por, no final, ter recebido financiamento para produzir a sua obra. Esta produção transfronteiriça representou desafios significativos para ela, mas, com a ajuda da sua equipa e dos amigos, o projeto foi concluído com sucesso. Galilee Ma espera que esta história, inspirada na sua própria família, tenha a oportunidade de ser exibida em Macau.
De Hong Kong, To Chun-him apresentou Once Upon a Time There Was a Mountain em Údine, antes de seguir para o Asian American International Film Festival, em Nova Iorque, e para o Drama International Short Film Festival, na Grécia. A sua visão mudou após assistir a uma masterclass do editor Liao Ching-sung, no IFC. “Disse que o editor pode mover-se livremente entre emoção e razão, estar totalmente envolvido e ao mesmo tempo totalmente distante, encontrando o equilíbrio certo no meio. Essas palavras tocaram-me profundamente e redefiniram a forma como penso a criatividade.” O filme foi também um ensaio para ambições futuras: “Este projeto contém parte de um conceito que espero desenvolver numa longa-metragem. O IFC permitiu-me testá-lo.”
Da China continental, Song Dongxu levou Ride Your Horse ao 19.º FIRST International Film Festival, em Xining, China, um palco de referência para novos realizadores. “O meu mentor [do IFC], Ding Yuin Shan, ensinou-me praticamente mão na mão a fazer um pitch e a apresentar melhor o meu projeto na proposta. Essa experiência continua a ser útil agora e continuará a sê-lo no futuro.” Olhando para trás, resume o que diria aos novos participantes do IFC: “Às vezes é aceitável esquecer a perfeição e abraçar o inesperado. O encanto das curtas nasce muitas vezes de momentos não planeados. Confiem na equipa, respeitem a intuição e desfrutem da aventura. Acima de tudo, sejam corajosos a expressarem-se!”







