O sudoeste da Europa sofreu uma terceira onda de calor no verão, incêndios devastaram Espanha e Portugal, enquanto grande parte da Ásia registou temperaturas acima da média durante um mês escaldante que quase atingiu máximos históricos. Os oceanos do planeta, que ajudam a regular o clima ao absorverem o excesso de calor da atmosfera, também estiveram próximos de temperaturas recorde para agosto. Mares mais quentes estão associados ao agravamento de fenómenos meteorológicos extremos.
“Com os oceanos a manterem-se anormalmente quentes, estes acontecimentos sublinham não só a urgência de reduzir emissões, mas também a necessidade crítica de adaptação a fenómenos climáticos extremos mais frequentes e intensos”, afirmou Samantha Burgess, responsável estratégica para o clima no Serviço de Alterações Climáticas Copernicus da União Europeia.
As temperaturas globais têm vindo a subir devido às emissões de gases com efeito de estufa resultantes da atividade humana, sobretudo da queima massiva de combustíveis fósseis desde a revolução industrial. O Copernicus recolhe estas medições através de milhares de milhões de registos por satélite e estações meteorológicas, em terra e no mar, com dados que remontam a 1940.
A temperatura média global em agosto foi 1,29 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, ligeiramente inferior ao recorde mensal registado em 2023 e igualada em 2024. Embora incrementos aparentemente pequenos, os cientistas alertam que estes já estão a desestabilizar o clima, tornando tempestades, cheias e outros desastres mais frequentes e mais intensos.
No seu boletim mensal, o Copernicus destacou que a Europa Ocidental registou as temperaturas mais acima da média, com o sudoeste de França e a Península Ibérica particularmente afetados. Espanha sofreu uma onda de calor de 16 dias que provocou mais de 1.100 mortes, segundo o Instituto de Saúde Carlos III. Incêndios em Espanha e Portugal forçaram milhares de pessoas a abandonar as suas casas.
Na semana passada, cientistas afirmaram que as alterações climáticas causadas pelo homem tornaram 40 vezes mais prováveis as condições de calor, secura e vento que alimentaram os fogos. Fora da Europa, as temperaturas mais acima da média registaram-se na Sibéria, em partes da Antártida, na China, Península da Coreia, Japão e Médio Oriente.