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Retração e prudência abrandam diversificação económica

O abrandamento da diversificação económica está a ganhar força, alimentado por uma conjuntura de retração no crédito, desaceleração do mercado imobiliário e queda na confiança dos exportadores. “A diversificação económica irá provavelmente abrandar, uma vez que as empresas poderão evitar investir fortemente em Hengqin”, alerta o analista político Sonny Lo

Fernando M. Ferreira

Os dados financeiros e industriais mais recentes revelam um cenário económico marcado por prudência, retração e menor dinamismo em setores chave da economia local. A quebra de 4,6% no total de empréstimos ao setor privado, a descida de 1,4% nos preços da habitação e o crescente pessimismo dos industriais quanto às exportações estão a travar os esforços de diversificação da economia para lá do Jogo.

Apesar de os depósitos bancários totais terem subido 1,4% em maio face ao mês anterior, os empréstimos ao setor privado caíram de forma acentuada, com particular destaque para a quebra de 7,6% nos empréstimos ao exterior. O rácio de crédito vencido atingiu 5,7%, agravando-se devido à redução no volume de empréstimos, o que revela maior contenção nas decisões de investimento e maior risco no mercado financeiro.

No setor exportador, mais de 52% dos empresários industriais inquiridos preveem um ambiente menos favorável para os próximos seis meses, um salto expressivo face aos 23,1% registados no trimestre anterior. Quase 70% apontam o “insuficiente volume de encomendas” como principal problema, com a duração média da carteira de pedidos a encolher para apenas três meses.

O mercado imobiliário esteve sobreaquecido e o seu arrefecimento é inevitável, já que anteriormente era altamente especulativo e estava inflacionado por bolhas, sem controlo por parte do governo

Sonny Lo, analista político

Esta prudência afeta diretamente o investimento e os planos de diversificação para além do Jogo, alerta Sonny Lo. “A diversificação económica irá provavelmente abrandar, uma vez que as empresas poderão evitar investir fortemente em Hengqin, embora as empresas do Interior continuem a desempenhar um papel crucial”.

Questionado sobre se a conjugação da queda no setor imobiliário com a desconfiança nas exportações reforça uma perceção de estagnação, Sonny Lo considera que os fatores estão fora do controlo local. “É preciso apenas esperar por melhorias nas relações entre a China e os EUA, uma vez que as mudanças atuais são estruturais e não estão facilmente sob o controlo de Macau”, avisa.

Imobiliário continua a cair

A tendência estende-se ao imobiliário. O índice global de preços da habitação registou uma queda homóloga de 8,7% entre março e maio, com recuos significativos tanto na Península como na Taipa e Coloane. Este cenário reflete, segundo o analista político Sonny Lo, um fenómeno previsível de correção de mercado: “A região do sul da China, e na verdade também o Interior, está a sofrer uma desaceleração económica devido à guerra comercial e às tarifas globais. O mercado imobiliário esteve sobreaquecido e o seu arrefecimento é inevitável, já que anteriormente era altamente especulativo e estava inflacionado por bolhas, sem controlo por parte do governo”.

Os padrões de consumo são sobretudo afetados nos setores do retalho e da restauração, especialmente nas zonas norte de Macau, próximas da fronteira

O impacto no consumo interno e no sentimento económico já se faz sentir: “O consumo tenderá a diminuir, mas a riqueza das famílias poderá ser mantida devido à propensão da população para poupar. Os padrões de consumo são sobretudo afetados nos setores do retalho e da restauração, especialmente nas zonas norte de Macau, próximas da fronteira”, diz Sonny Lo ao PLATAFORMA.

Medidas urgentes

Face ao cenário de retração, Sonny Lo defende uma resposta mais ambiciosa do Executivo local, com medidas urgentes que unam coesão social e dinamismo económico. “O governo deve acelerar a construção e disponibilização de mais habitação pública e de transição para os mais pobres e necessitados, ao mesmo tempo que apoia mais as pequenas e médias empresas através de diversas medidas de apoio e de redes de contactos com oportunidades de negócio no Sudeste Asiático, no Interior da China e nos países da iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’”.

Sonny Lo sublinha ainda a importância de reforçar os motores tradicionais do turismo, defendendo medidas para sustentar as receitas públicas e aumentar a atratividade da cidade. “O setor do Jogo continua a ser importante para as receitas do governo, e os turistas do Interior continuarão a ser o pilar das indústrias do turismo. O turismo de cruzeiros deve ser acelerado e as redes de transporte diário devem ser reformadas de forma contínua, para tornar Macau realmente competitiva e atrativa para uma variedade de turistas, tanto do Interior como de fora”, conclui.

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