A Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Politécnica de Macau (UPM) deu um passo importante na aplicação da inteligência artificial (IA) à medicina, com o desenvolvimento do modelo “BLENet”. Inspirado no sistema visual biológico, este modelo leve e eficiente foi criado para melhorar a segmentação do ventrículo esquerdo em exames de ecocardiografia — um elemento-chave na avaliação e diagnóstico de doenças cardíacas.
O projeto foi conduzido pelo Professor Adjunto Tan Tao, os assistentes Sun Yue e Patrick Cheong-Iao Pang, e os doutorandos Pang Xintao e Zhang Yanming. A equipa contou ainda com a colaboração do Dr. Edmundo Patrício Lopes Lao, médico do Centro Hospitalar Conde de São Januário, e com académicos da Universidade Sun Yat-sen e do Primeiro Hospital Afiliado da mesma universidade.
A ecocardiografia, amplamente utilizada na prática clínica, exige capacidade de análise em tempo real e dispositivos portáteis, especialmente em ambientes hospitalares com recursos limitados. O “BLENet” foi especificamente concebido para responder a esses desafios, permitindo uma análise precisa e eficiente mesmo em condições de espaço e processamento restritos.
Avaliado com base em dados clínicos reais e dois conjuntos de dados públicos, o modelo demonstrou um desempenho promissor. Através da segmentação precisa do ventrículo esquerdo, os médicos poderão monitorizar melhor a evolução dos pacientes, definir estratégias terapêuticas e avaliar a eficácia dos tratamentos para doenças cardíacas.
O artigo científico resultante da investigação foi publicado na prestigiada revista internacional IEEE Transactions on Circuits and Systems for Video Technology, sob o título “BLENet: a Bio-inspired Lightweight and Efficient Network for Left Ventricle Segmentation in Echocardiography”. A publicação, com um fator de impacto de 11,1, é reconhecida como uma das mais relevantes na área da tecnologia de vídeo e encontra-se no primeiro quartil (Q1) das classificações do Journal Citation Reports (JCR) e da Academia Chinesa de Ciências.
O projeto foi financiado pelo Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia de Macau.