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China no centro da audição do chefe da diplomacia da futura administração Trump

O chefe da diplomacia norte-americana designado pelo Presidente eleito Donald Trump, Marco Rubio, foi ontem ouvido no Congresso, com a questão da rivalidade entre os Estados Unidos e a China a concentrar atenções na audição.

Na audição de confirmação no Comité de Negócios Estrangeiros do Senado (câmara alta do Congresso norte-americano), o potencial secretário de Estado, de 53 anos, disse nas suas observações iniciais que a ordem mundial pós-Guerra Fria não era apenas “obsoleta”, mas que se tinha tornado “agora uma arma usada” contra a Estados Unidos.

Rubio, atual senador da Florida, também afirmou que a China “trapaceou” no seu caminho para o estatuto de superpotência mundial.

“Demos as boas-vindas ao Partido Comunista Chinês nesta ordem mundial” após a Guerra Fria, e “eles aproveitaram todos os seus benefícios, mas ignoraram todos os seus deveres e responsabilidades”, argumentou o político republicano.

Nascido em Miami, filho de pais cubanos, Marco Rubio é conhecido pelas suas posições hostis contra a China e o Irão e pelo seu apoio inabalável a Israel. Considerado como pró-Taiwan, cuja soberania é reivindicada pela China, Rubio tem sido alvo de sanções chinesas pela sua oposição ativa às políticas de Pequim nas regiões de Xinjiang e Hong Kong.

Desde o início da audição de ontem, as discussões do comité concentraram-se em grande parte na China. “O fracasso do Governo cessante em repelir a agressão da China significa que a China está a desafiar a América em todo o lado, desde África ao nosso hemisfério” ocidental, disse o presidente do comité, o senador republicano Jim Risch.

Outro senador da Florida, o republicano Rick Scott, deu o seu apoio a Marco Rubio durante a audição, classificando-o com um candidato “excelente” para o cargo. “Irá trabalhar com o Presidente Trump para punir os regimes comunistas pelos seus crimes”, afirmou Rick Scott.

Se a sua nomeação for confirmada pelo Senado, Marco Rubio irá liderar a principal rede diplomática do mundo, com mais de 55 mil funcionários, e será o rosto dos Estados Unidos no exterior. Como secretário de Estado, será responsável por aplicar o ‘slogan’ de Donald Trump: “Paz através da força”, um antigo conceito que o Presidente eleito quer atualizar.

Mesmo antes de assumir o cargo, na próxima segunda-feira, o magnata republicano já está a abalar a ordem internacional ao desafiar vários aliados dos Estados Unidos. Já ameaçou anexar o Canadá e a Gronelândia – um território autónomo da Dinamarca -, mas também o Canal do Panamá, cujo controlo foi cedido pelos Estados Unidos há duas décadas.

A guerra na Ucrânia deverá ser outra parte importante do mandato de Marco Rubio. Desde a eleição de Donald Trump, em 05 de novembro, os europeus temem um afastamento de Washington deste conflito que está quase a cumprir três anos ou até mesmo uma pressão norte-americana para um acordo em detrimento de Kiev.

Nos Estados Unidos, a Constituição exige que as nomeações de altos funcionários sejam confirmadas por votação no Senado, após audição na comissão responsável pelo cargo em questão.

Com perfil mais clássico e consensual, Marco Rubio está a ter uma audição menos agitada do que a do colega designado para secretário da Defesa, Pete Hegseth, ocorrida na terça-feira.

Este veterano e ex-apresentador da Fox News foi criticado por senadores democratas do Comité da Defesa, que o atacaram pelo seu historial, que envolve acusações de agressão sexual, mas também pela sua oposição à presença de mulheres nas forças de combate norte-americanas e ao seu alegado abuso de álcool.

Além de Rubio, outras audições ocorreram ontem no Senado, com destaque para a de Pam Bondi, escolhida por Donald Trump para chefiar o Departamento de Justiça. John Ratcliffe, nome designado para a liderança da CIA (serviços secretos norte-americanos), também será ouvido, assim como Chris Wright, que foi escolhido para secretário da Energia.

Plataforma com Lusa

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