Putin diz que avião russo foi abatido por Kiev, que duvida de prisioneiros a bordo

O Presidente russo, Vladimir Putin, acusou hoje as forças ucranianas de abaterem por “engano ou deliberadamente” um avião de transporte militar Il-76 na zona fronteiriça, enquanto Kiev questiona que o aparelho transportaria prisioneiros ucranianos, como alega Moscovo.

por Gonçalo Lopes

O avião despenhou-se na quarta-feira perto da aldeia russa de Yablonovo, a 45 quilómetros da fronteira com a Ucrânia, na região de Belgorod, matando os 74 ocupantes, segundo as autoridades russas.

“Os serviços secretos do exército ucraniano sabiam que levávamos 65 militares [ucranianos] a bordo. Abateram-no, por engano ou deliberadamente, mas fizeram-no”, afirmou Putin, sem apresentar provas da acusação.

As declarações de Putin surgem pouco depois de a Direção Principal de Informações da Ucrânia ter sublinhado que as autoridades russas não forneceram previamente quaisquer informações ao Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) sobre alegados prisioneiros a bordo do avião que caiu em Belgorod.

Segundo o porta-voz das informações ucranianas, Andri Yusov, as autoridades russas deveriam ter informado o CICV sobre a identidade e o estado de saúde dos prisioneiros que supostamente seriam trocados.

Yusov acrescentou que o incidente está rodeado de “circunstâncias misteriosas”.

Avião terá sido abatido por míssil

A Rússia já tinha acusado diretamente as Forças Armadas ucranianas, alegando ter encontrado restos de um míssil antiaéreo que derrubou a aeronave.

Moscovo assegurou que o avião transportava prisioneiros de guerra ucranianos com destino a uma troca combinada anteriormente, o que é desmentido pelas autoridades ucranianas.

Kiev acredita que o avião não transportava prisioneiros de guerra, mas sim mísseis.

Segundo Yusov, a aeronave também deveria transportar diversas figuras relevantes da esfera política e militar russa, mas acabaram por não embarcar.

“Até agora, estamos confrontados com elementos de ocultação. Não há nada de novo nos factos que a Rússia mostra. Talvez haja realmente algo a esconder”, concluiu o diretor dos serviços de informações ucranianos, que alegou que a Rússia pode ter escondido os corpos das vítimas.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou, de acordo com os mais recentes dados da ONU, a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

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