As ações russas na guerra com a Ucrânia foram denunciadas no mesmo dia pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) e pela organização não-governamental Human Rights Watch (HRW). A primeira condenou a política russa de atacar organizações humanitárias; já a segunda aponta para o “crime de guerra” que é a prática contínua de forçar civis dos territórios ocupados a lutar contra o exército do seu próprio país.
“As autoridades russas forçam aberta e ilegalmente os homens nas áreas ocupadas da Ucrânia a lutarem contra o seu próprio país”, disse Hugh Williamson, diretor da HRW para a Europa e Ásia Central. “Menos visível é a sua prática de pressionar os civis ucranianos detidos, que não têm onde se esconder ou fugir, a juntarem-se às forças russas.”
A HRW chegou à fala com três ucranianos presos em Donetsk que, além das condições indignas de encarceramento – sem aquecimento, nem água corrente -, queixam-se de pressão crescente para se voluntariarem. Uma advogada de um dos reclusos contou à ONG que quem recusa é torturado e, em resultado, muitos acabam por ceder e são enviados diretamente para a frente. Esta prática configura um crime de guerra. “Pressionar os ucranianos a lutarem contra o seu próprio país é depravado e ilegal”, considerou Williamson. O direito humanitário internacional proíbe que uma parte num conflito armado obrigue os residentes dos territórios que ocupa a servirem nas suas forças armadas.
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