Um instituto independente de sondagens de Hong Kong, que já teve de cancelar divulgação de resultados, anunciou hoje que vai “acompanhar os tempos” e deixar de realizar sondagens sobre temas como a repressão de Tiananmen em 1989 e a independência de Taiwan.
Estes temas são considerados tabu por Pequim, que assumiu um controlo firme sobre a antiga colónia britânica após as violentas manifestações de 2019 e a sua repressão pelas autoridades.
Uma lei de segurança nacional, introduzida em 2020, permite agora silenciar qualquer dissidência e exercer pressão sobre a sociedade civil, onde dezenas de associações foram dissolvidas.
No mês passado, o PORI (Hong Kong Public Opinion Research Institute), um dos poucos institutos de sondagem independentes, teve de cancelar a publicação dos resultados da sua sondagem sobre Tiananmen, por “sugestão” de uma administração governamental não especificada.
O presidente do PORI, Robert Chung, anunciou hoje que o grupo iria reduzir para metade a sua produção habitual a partir deste mês, tendo já cancelado a publicação dos resultados de 10 sondagens com 56 perguntas.
Estas perguntas incluíam “Confia no Governo central de Pequim?” e “Pequim agiu corretamente ao reprimir à força a revolta dos estudantes de Tiananmen?”, bem como outras sobre a independência de Taiwan e a situação no Tibete, outros temas tabu para Pequim.
Uma das sondagens tradicionalmente realizadas pelo instituto, e que deixará de o fazer, perguntava aos residentes de Hong Kong se se consideravam “habitantes de Hong Kong”, “chineses” ou uma combinação dos dois.
Hung Ho-fung, um cientista político da Universidade John Hopkins, afirmou que o instituto era, desde há muito, a “fonte mais fiável de indicadores científicos” do sentimento público em Hong Kong.
Hung Ho-fung considerou que as pessoas entrevistadas para as sondagens poderiam não revelar as suas verdadeiras opiniões no atual clima político, receando que as suas identidades fossem reveladas.
A polícia de Hong Kong efetuou buscas na sede deste instituto de sondagens em 2020 e 2021.
O PORI continuará a publicar sondagens sobre a popularidade dos principais políticos, incluindo o líder de Hong Kong, John Lee, cujo índice caiu ainda mais este mês.