Um vidro de xarope com ingredientes siberianos, pilhas de meias sujas e um saquinho de chá de uma marca produzida especialmente para militares, estampado com as palavras “para a vitória!”, são alguns dos itens deixados para trás por soldados russos nas trincheiras no sul da Ucrânia.
Para soldados ucranianos, uma vantagem de obterem pequenos avanços na contraofensiva lançada há um mês é a possibilidade de se apropriarem de fortificações prontas, construídas pelos russos que estão em retirada e que, ao longo de meses de preparativos, escavaram trincheiras fundas e bem protegidas.
Mas isso também traz fatores curiosos às forças de Kiev, que estão vivendo e combatendo em posições que passaram muito tempo nas mãos dos russos e que estão cheias de detritos militares e objetos pessoais de soldados inimigos espalhados.
“Não é muito agradável”, diz Maksim, da 26ª brigada de Marines da Ucrânia. O soldado vem colecionando várias curiosidades dessas fortificações, como balas de arma de fogo cobertas de brilho, presas a um chaveiro. “É nossa terra, mas não nos sentimos muito à vontade aqui”, segue o soldado, que informou apenas seu primeiro nome e sua patente por razões de segurança. “Não nos sentimos em casa.”
No início de junho, tropas ucranianas, treinadas e equipadas pelos EUA e outros aliados ocidentais, lançaram uma contraofensiva com objetivo de abrir uma brecha no sul da Ucrânia, sob ocupação de Moscou. À espreita estavam milhares de soldados russos abrigados em quilômetros de trincheiras e outras fortificações, em meio a armadilhas de tanques e milhares de minas terrestres.
Leia mais em Folha de S. Paulo