Xi Jinping foi eleito secretário-geral do Comité Central do Partido Comunista da China no último domingo. O Partido Comunista da China, tendo Xi no núcleo, vai continuar a nova jornada rumo ao socialismo moderno.
Contudo, está repleta de desafios, num cenário de inédita desaceleração económica e de tensões crescentes com os estados mais a Ocidente. Um desafio, certamente, muito maior que aqueles que teve pela frente nos últimos dez anos.
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“As conquistas do Partido [Comunista], nos últimos cem anos, são de glória incomparável. O Partido está a florescer e temos total confiança de que seremos capazes de criar novos e maiores milagres”, disse Xi Jinping após ter sido mandatado para continuar à frente do PCC. No entanto, são vários os especialistas que entendem que a tarefa do líder chinês não será fácil.
Pela frente, nos próximos tempos, terá agora alguns cenários de imensa tensão. A guerra na Ucrânia, sobretudo pela sua ligação a Vladimir Putin, um dos primeiros a parabenizá-lo pela nova eleição, e ainda o conflito com Taiwan, com os Estados Unidos ao barulho.
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E neste novo ciclo, apesar de outras tensões mais políticas, a verdade é que a economia começará por ser o primeiro grande obstáculo de Xi Jinping, nomeadamente a desaceleração económica da China, isto após décadas de enorme crescimento. No combate à pandemia de Covid-19, a denominada ‘política dinâmica de casos zero’, levou a um rombo económico nas contas e este será um tema que terá de ser aberto a discussão.
Refira-se que, devido à pandemia, a conjuntura também atingiu o outrora lucrativo setor imobiliário e várias empresas lutam atualmente para sobreviver. Este setor representa, junto com a construção, 25 por cento do Produto Interno Bruto da China.
LIGAÇÕES TENSAS COM POTÊNCIAS OCIDENTAIS
Se a crise económica, aliada à pandemia de Covid-19, poderá ser o primeiro tema que Xi Jinping terá de tratar, há outros em cima da mesa que levaram a um aumento da tensão com as potências ocidentais. Além do caso Taiwan e da guerra na Ucrânia, como já mencionado acima, a rivalidade tecnológica com os Estados Unidos ou a política governamental de Hong Kong são pontos que Xi Jinping terá forçosamente de lidar num futuro próximo.

“O mundo passa por mudanças inéditas num século”, afirmou Xi Jinping na abertura do Congresso do Partido Comunista. Estas mudanças, como o próprio refere, são vistas também como uma oportunidade para o líder chinês poder formatar a visão que o exterior tem deste, pelo menos é esta a opinião de Herlander Napoleão.
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“O pensamento de Xi visa principalmente fortalecer a sua própria legitimidade e o seu poder na China. A verdade é que o país e o mundo cresceram economicamente fruto das reformas que Xi realizou nos últimos anos, mas se o próprio diz que passamos por tempos de mudança, também ele terá de rumar nesse sentido”, diz o analista ao PLATAFORMA, abordando depois a tensão com o Ocidente“.

Herlander Napoleão, analista político angolano
“A China é única’ poderia ser um mote de Xi Jinping, dado a forma que sempre colocou o país em primeiro lugar à frente de qualquer clima de tensão”.
Contudo, defende que certos temas merecem reparos, como é o caso da política conduzida em Hong Kong ou até mesmo a gestão do caso dos uigures.
“A China continuaria sempre como uma das maiores potências mundiais, mas de cara lavada”, salienta Herlander Napoleão.